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sábado, 19 de outubro de 2024

Fundación Aeronáutica António Quintana [M2560 - 84/2024]


Tenho para mim que, de que há poucos anos para cá, talvez desde o Caretos Air Show de 2018, temos assistido a diversos eventos aeronáuticos que tem contado com a participação da Fundación Aeronáutica António Quintana (FAAQ), que se tem exibido com alguns aparelhos do seu acervo, nomeadamente os Bird Dog e o FTB-337G, em especial este último, que é muito querido ao autor pelo facto de o seu baptismo de voo ter sido num dos “Puxa-Empurra” da Esquadra 702, os “Indomáveis do Norte”, no recuado ano de 1989!
Em oportunidade de uma ida com um grupo de amigos a Espanha para comprar caramelos “el Avión” (what else?), tece o autor algumas linhas polvilhadas de umas quantas imagens, acerca desta instituição, sendo as últimas resultado de uma visita às suas instalações.

 

Fundación Aeronáutica António Quintana

A Fundación Aeronáutica António Quintana, é constituída a 16 de Março de 2010, tendo por objectivos a salvaguarda e expansão do património aeronáutico, difundindo a cultura, a ciência, a tecnologia e a história da aeronáutica. A preservação e a manutenção de todo o seu acervo aeronáutico, permitindo o acesso ao mesmo quer o acervo estático quer o acervo em voo.  Colaborar com todas as entidades, públicas ou privadas, criando sinergias na recuperação e manutenção do património aeronáutico histórico, nomeadamente as suas aeronaves. 
Neste sentido a FAAQ promove, não só a conservação, manutenção e restauro de todo o acervo, seja ele aviões, objectos aeronáuticos históricos, objectos técnico-científicos, que lhe seja cedido,  ou esteja em processo de cedência à Fundação.
A FAAQ desenvolve também diversas actividades culturais ou pedagógicas, como a divulgação da história, da ciência e das técnicas aeronáuticas, através de seminários, cursos, conferências, exposições, publicações, revistas, etc.



António Quintana

Nascido em Vigo, a 16 de Janeiro de 1955, António Quintana Pereira, desenvolveu a sua carreira como como piloto profissional, contando com inúmeras valências, piloto comercial, instructor de voo, piloto de acrobacia e de voo à vela, bem como de parapente e paramotor.
Faleceu precocemente com apenas 53 anos, a 31 de Março de 2008, deixando para trás um legado muito significativo na aviação desportiva espanhola, distinguindo-se por ter sido o delegado espanhol na Comissão do Voo Acrobático da Federação Aeronáutica Internacional (FAI) que levou a cabo o complexo processo de transformação e melhoria dos desportos aéreos em Espanha, fazendo com que Espanha participasse nas várias modalidades desportivas no plano internacional, trazendo com isso o seu reconhecimento e prestígio.
Destacou-se também na organização de diversos eventos internacionais que se realizaram em Espanha, como conferências e campeonatos do mundo, como o de paraquedismo, voo acrobático, voo de ultraligeiros.
Era amigo pessoal de muitos dos membros originais da FAAQ, que entenderam desta forma perpectuar o seu nome.

Um dos elementos mais importantes da FAAQ, a sua mascote "Moth", parece guardar a porta do hangar, que está aberta,
em dia de exibição aérea da FIO, para receber os sócios para assistir. 


A frota

A frota actual é composta por doze aparelhos, estando dois em restauro, acrescendo a estes a recepção recente de quatro helicópteros, dos mais se pretende colocar dois em estado de voo. Todos os aparelhos da colecção tem histórias para contar e são alguns deles únicos em estado de voo no mundo. 
A sua base de operações é o aeroporto de Cuatro Vientos, na periferia de Madrid, e compreende um hangar onde são recolhidos os aparelhos e efectuadas as suas manutenções, num hangar que quase passa despercebido mas que encerra uma colecção ímpar. Como museu vivo que é, o trabalho não pára, não se ficando por operar os aparelhos que já conhecemos e fazer a sua manutenção, há projectos de aquisição de outros aparelhos para aumentar à colecção que irá, num tempo que se deseja próximo ver alargada a colecção mas também as suas instalações.
Ainda que não seja para já um museu de porta aberta, a Fundação não fecha a porta a ninguém que os queira visitar, como aliás aconteceu com a visita efectuada a 5 de Outubro, visita que foi guiada pelo José Olias, Presidente da FAAQ, que nos orientou por aquele mundo mágico, contando-nos as histórias de cada avião, a sua valia histórica, bem como todo o trabalho desenvolvido e a desenvolver.

Por cá os veremos por certo, durante o ano que vem, num dos muitos festivais aéreos!


Rui “A-7” Ferreira
Entusiasta de Aviação
Fotos: Rui Ferreira e Pedro "Puga" Oliveira

Nota: Por opção própria, o autor não escreve sob o actual acordo ortográfico.

Agradecimentos: José Rocha, Carlos Tomás, e em especial ao José Olias, Presidente da FAAQ, por toda a disponibilidade. 

Fontes - www.faaq.es


Algumas fotos de um dos FTB-337G (exFAP) durante a exibição a 
solo no Dunas Air Show, em Agosto de 2022,
 

Aspecto da zona menos informal do hangar, com um néon 
alusivo à "Tokio Rose", por baixo da "bandeira proibida".

AISA I-11B "Peque" de registo EC-BUR (exEdA HE.78-18)

Piper L-14 de registo EC-AAP (exUSAAF 45-55531)

Fairchild W-24 de registo EC-AJZ

CASA 1.131E (Bücker Jungmann) de registo EC-FSG (exEdA E.3B-534)

Reims-Cessna FTB-337G de registo EC-MYM (exFAP 13723)

Piper PA-32-300 Cherokee Six de registo EC-BMO, e em fundo o 
Reims-Cessna FTB-337G de registo EC-IPL (exFAP 13719)

Beech F.33A de registo EC-FZS (exEdA E.24B-33)

Cessna O-1E Birdog de registo EC-MAB (exExército Italiano MM61-2992)

Bell OH-13H de registo EC-DZJ (s/n 65-13009, exFAMET HE.7B-29)







sábado, 29 de outubro de 2022

O AIRSHOW do Portugal Air Summit 2022 [M2356- 72/2022]


Realizou-se no passado dia 15 de Outubro, o “Airshow” integrado na edição deste ano do Portugal Air Summit, o culminar de quatro dias intensos deste certame que pretende reunir num só certame todos os intervenientes da cena aeronáutica e aeroespacial nacional.

Não sendo meu objectivo desenvolver os temas deste certame na sua plenitude, toda ela muito interessante - trabalho que implicaria uma reportagem longa in situ - irei debruçar-me um pouco, fotograficamente, sobre alguns aspectos do Airshow, razão primeira para a deslocação a tais paragens longínquas, na busca de algumas das exibições que eram afinal cabeças de cartaz, num programa ao qual o Pássaro de Ferro deu devida nota antecipadamente.

Já tinha intenção de ir ao Air Summit desde o ano passado, em verdade, na busca de alguns dos aviões que estão baseados em Ponte de Sor, os “clássicos”, na persecução de um dos temas a que me dedico, os Military Aviation Wrecks & Relics, e que integram o projecto em livro European Military Out Of Service.  Aliado a esses, o programa que foi sendo dado a conhecer fez crescer vontade de não falhar este ano!

Tenho para mim como referências apenas os festivais da Força Aérea Portuguesa, sobretudo os maiores e quando os aniversários da Arma estão aliados a exercícios como por exemplo o Tiger Meet (ex. 1987, 1996, 2002, e Real Thaw 2022), bem como os festivais aéreos civis nos quais se inserem eventos como as últimas edições do Estoril Air Show e também os Portugal Air Show em que participei. Reconheço serem referências parcas de alguém que viaja pouco.

Ainda assim, a expectativa era alta.

O Airshow, que integrou um sem número de exibições muito interessantes, com especial enfoque nos diversos sectores da aviação civil na aviação desportiva, incluiu as corridas aéreas integradas no campeonato Air Race Championship (ARC), exibições aéreas dos acrobatas Ramón Alonso, Jorge Macias, e Cástor Fantoba, todos eles fantásticos, bem como, num outro registo, o nosso amigo Luís Garção.

Não esquecendo a participação mais pequena, de um girocóptero do Campo de Voo de Benavente, não foram só as participações a solo, registo também a parelha Ramón Alonso/Jorge Macias, os Yakstars (que integra pilotos portugueses e espanhóis), e também a Team Raven inglesa. Destaque ainda para a operação, pela primeira vez aeródromo de Ponte de Sor, de um Airbus A320 da SATA.

No que concerne às participações militares, registaram-se as passagens aéreas da Força Aérea Portuguesa que incluíram uma parelha de TB-30 Epsilon da Esquadra 101, e um DHC1 Chipmunk da Academia da Força Aérea. A abertura do Airshow propriamente dito esteve a cargo de um FTB-337G da Fundación António Quintana, mas as duas exibições que mais gostei foram a do Super Lynx Mk.95A da Esquadrilha de Helicópteros da Marinha Portuguesa (ainda que curtinha), e um fantástico Supermarine Spitfire HF.IXc.

O evento aéreo terminou com duas outras exibições muito curiosas, já noite, uma a cargo dos AeroSPARX, e outra, um espectáculo com drones.

Confesso que tenho de voltar para assistir ao evento na sua totalidade, e ao Airshow sem dúvida nenhuma. Que surpresas trará a próxima edição?

Agora vamos às fotos.



Para além da participação da Força Aérea Portuguesa no evento, com stand e exposição estática, registou-se adicionalmente neste dia a participação da Esquadra 101 “Roncos”, baseada em Beja (BA11), com uma parelha de TB-30 Epsilon a executar diversas passagens.

Acalentei a esperança de ver este clássico Antonov An-2 em voo de formação com os Yakstars, à semelhança do treino e exibição que ocorreu no início do mês de Outubro, em que inclusivamente fizeram  um voo de formação deste An-2 com oito Yak-52 (!!!), algo que com muita pena minha não aconteceu aqui.

Aqui vemos os Yakstars a taxiar para mais perto do público em preparação para a sua exibição.

Em primeiro plano o Airbus A-320 da SATA, e em fundo o piloto Cástor Fantoba, durante uma das suas passagens da ARC.

Aqui vemos na exposição estática, este foi o primeiro dos nossos Super Lynx’s a serem modernizados (19204)que inclui a « (…) modificação estrutural decorrente da instalação dos novos motores LHTEC CTS800-4N em substituição dos Rolls Royce Gem 42, sistemas de ajudas e navegação, substituição do painel de instrumentos por um glass cockpit com três ecrãs multifunções, novo guincho de salvamento hidráulico e sistema de amortecimento de vibrações do rotor principal


Um Cessna O-1 Birdog, da Fundación António Quintana, com um esquema de pintura muito curioso e que apenas vimos numa curta demonstração de voo. Repare-se que o aparelho está restaurado imaculadamente, até rockets tem suspensos nas asas!


A abrir o airshow, o FTB-337G da Fundación António Quintana, naquele que foi um dos “puxa-empurra” da FAP e que de resto já tinha tido oportunidade de ver em S. Jacinto em Agosto último.



Numa passagem muito baixa, à larga, Ramón Alonso parece descansar depois de 




Com um conjunto de passagens em formação e manobras a solo, os Yakstars nunca nos deixam de surpreender, pela dificuldade e o rigor da sua actuação, a formação integrou pilotos e aviões dos Yakstars e Jacob 52. Os Yakovlev Yak-52 destas patrulhas são conhecidos pelos seus esquemas de pintura “à antiga”, alguns deles foram recentemente descaracterizados, para um modo “politicamente correcto” …



Um outro acrobata a solo, Jorge Macias em passagem muito baixa, mais uma exibição de se lhe tirar o chapéu!


Tomou poucos minutos, a demonstração do Super Lynx Mk.95A da Esquadrilha de Helicópteros da Marinha, executando um "fast rope" com um grupo de Fuzileiros, e algumas passagens, foi fantástica, ainda que fosse desejo de todos ver uma demonstração de performance "à moda antiga"...


Um dos pontos altos do festival, a exibição do Team Raven, composta de uma formação de seis aparelhos Ran's RV-8.






Se não houvesse razões para ir a Ponte de Sor, a demonstração de voo deste Supermarine Spitfire HF.IXc, pilotado pelo seu actual dono, Niel Parkingson, era mais que bastante. Já não via por cá uma exibição de um Spitfire desde os idos do Portugal Air Show.





Pela segunda vez em Portugal, os AeroSPARX , uma parelha com dois Grob 109b, que em modo nocturno aliam a acrobacia aérea a um show de pirotecnia, numa composição visual espectacular.

 


Texto: Rui “A-7” Ferreira
Entusiasta de aviação

Fotografia:  – Fernando Sousa, Floriano Morgado, Jorge Ruivo, e Rui Ferreira.

Nota: O autor do texto/reportagem escreve na grafia antiga.








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