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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

COLECÇÃO AVIÕES DE COMBATE - F-16 (M556 - 33PM/2011)


Está à venda desde segunda-feira dia 14/11/2011 o fascículo da colecção "Aviões de Combate a Jacto" da editora planeta DeAgostini, dedicado ao F-16.
Com o fascículo dedicado a este (já) lendário caça ao serviço em mais de 20 forças aéreas de todo o mundo, vem incluída uma miniatura à escala 1/72 de um F-16B com as cores portuguesas, em diecast (metal) tal como os restantes modelos de colecção.
A obra completa, que reúne os 60 aviões de combate mais emblemáticos da era a jacto, conta com a colaboração da Força Aérea Portuguesa e do Museu do Ar, na concepção dos modelos nacionais.
Na execução dos perfis ilustrativos deste fascículo está também o conhecido ilustrador nacional Miguel Amaral, cujo trabalho o Pássaro de Ferro teve já o prazer de divulgar aqui, e que pode também ser seguido no blogue do próprio.

Da colecção, que iniciou com o famoso Fiat G91 com a pintura usada na Guiné durante a Guerra Colonial, e cujo original se encontra em exposição no Museu do Ar em Sintra, constam ainda as aeronaves a editar com as cores nacionais:

-Alpha Jet - pintura dos Asas de Portugal (à venda a 26/12/2011)
-A-7 Corsair II (5/3/2012)
-F-86 Sabre (28/5/2012)
-F-84 Thunderjet (s/data prevista)

Toda a informação disponível sobre a colecção no site:


quinta-feira, 11 de março de 2010

DOR DE ALMA (M358-8PM/2010)

Northrop T-38A Talon s/n 2601 pertencente ao Museu do Ar com a carlinga aberta expondo o interior do cockpit dia e noite aos elementos

Num dos últimos fins-de-semana calhou estar pelas imediações de Alverca e apesar do Museu do Ar já não estar aberto ao público, aquele meu instinto de olhar para o céu sempre que ouço o ruído de um avião,  também me leva magneticamente a estar perto deles.
Passei por isso pelo antigo Museu do Ar e qual não é o meu espanto quando para além das cores desbotadas (já esperadas) dos modelos expostos no pátio em frente ao hangar que albergava o Museu, me dou conta que a carlinga da frente do T-38 estava escancarada, expondo o interior do avião à inclemente intempérie que assolou o país nas últimas semanas.
Não faço ideia há quanto tempo estaria naquela situação, nem qual a razão para a mesma. Vandalismo? Descuido? Não faço ideia.
Sei que me doeu na alma ver um avião que foi por largos anos a única máquina supersónica da Força Aérea, na decadência apesar de teoricamente ter sido conservado para museu.

Já em Julho passado me tinha apercebido que o A-7 atribuído ao Museu do Ar em Sintra, sofria de mal idêntico, embora mais disfarçado, podendo ainda assim notar-se perfeitamente que a carlinga mal fechada notoriamente há bastante tempo, proporcionava a degradação do interior do cockpit.

Percebe-se que as verbas para manutenção de aeronaves que não são já mais do que memórias de outros tempos, não são prioritárias face às urgências das actualidades. 
As pinturas e restauro custam dinheiro.
Certos cuidados no entanto não.

À semelhança das pessoas, os aviões velhos também merecem respeito.


quinta-feira, 30 de julho de 2009

O VISCONDE DE DRACOPOULOS


A-7E grego - 22/07/2009


F-86F português - 04/10/1990

Quando no dia 10 de Julho passado escrevi “true love never dies”, numa alusão ao alegado poder do Conde Drácula de fazer regressar à vida aqueles por ele tocados, estava ainda longe de conhecer a surpresa reservada pela organização dos festejos dos 50 anos da BA5.


Com efeito os A-7 voltaram a voar nos céus lusitanos. E mesmo se isso não foi visível no dia dos festejos marcados para 22, apenas o facto de os ver rolar em Monte Real 10 anos depois da declarada “morte” da frota nacional, fez-me perceber o brilho que vi nos olhos de algumas pessoas, quando em 1990 vi um F-86 rolar nessa mesma base, também 10 anos depois da sua retirada de serviço. Quem diz que não se pode sentir afecto por objectos ou máquinas, está redondamente enganado. Ou isso ou estamos muitos de nós, que nos afeiçoamos a um carro, um avião, uma peça de arte.


Poder voltar a ver um A-7 operacional foi um privilégio, mesmo se não foi pela mão (ou dentes) do Conde Drácula. Talvez um seu parente helénico, quiçá de seu nome “Visconde de Dracopoulos”. O barulho não era bem o mesmo (até porque o motor não é igual) mas a imponência do Corsair fez-se notar, como tantas vezes ao longo de quase duas décadas.


Há que ter esperança que alguma das células do A-7P tristemente abandonadas por alguns recantos da base, tenha sido contaminada pelos últimos sobreviventes dessa nobre família e volte a ter vida outra vez.


Às vezes é preciso pouco mais do que vontade.


terça-feira, 25 de março de 2008

O Pássaro de Plástico -- uma dissertação...


O mote deu-o naturalmente o "21" com o diorama que levou à exposição de modelismo de Maceda no ano passado (2006).

Não desfazendo daquilo que aqui já tive oportunidade de contar aqui sobre a origem de um apelido, o meu, o bichinho carunchoso e comichento dos aviões ainda vem de antes, de uma infância ainda tenra, ali por volta do tempo do liceu, logo depois do ciclo preparatório, e pelas voltas às prateleiras pejadas de kits do Bazar de Paris, no Porto.
Se bem que, a memória já não é o que era, e portanto não posso dizer que nasceu ou deixou de nascer aqui o dito bichinho, mas foi por certo um dos cenários onde foi cultivado, qual cultura de bactérias em vidrinho de laboratório, seguramente uma das muitas formas de alimento da doença durante a minha vida à roda dos aviões, independentemente da altura mais ou menos activa.
Mas aqui, neste cadinho que foi para mim esta loja, o local onde nasceu e cresceu o fascínio dos bonitos e coloridos desenhos das caixas dos kits novos de todas as marcas, de todos os aviões, conhecidos e até estranhos, me foi levando a decorar nomes e marcas e histórias, e formas e cores, e onde se delinearam projectos de comprar e montar todas aquelas maravilhas que nos faziam brilhar os olhos e salivar abundantemente com o som das campainhas emanadas do nosso cérebro.
Comprar qualquer uma daquelas peças seria o realizar de um sonho, mas com uns tostões sacrificados aqui e ali, sempre se conseguia ir lá buscar um kit ou outro, das gamas mais baixas (os "blisters" da Airfix), que me apressava a encher de uma cola qualquer mal chegava a casa só para os ver prontinhos numa pista improvisada com placas de madeira (aglomerado) cravadas na loja de passamanarias (as que vinham no interior das peças de tecido, comprado a metro, com que a minha mãe me fazia as calças).
Só mais tarde surgem as primeiras e grotescas utilizações de tintas, e de muitos outros materiais, utilizados da mesma forma tosca, ainda que sejam eles preciosismos altamente avançados tecnologicamente, neles deixo ficar sempre as mesmas dedadas de tinta e de cola no plástico, à mistura com pingos de sangue dos cortes com o x-acto, e aos pelos esquecidos pelos pincéis já gastos cujos pelos ficam espalhados na tinta que cobre os kits.
Ainda hoje, sinto algum resquício desse fascínio, cada vez que deambulo numa loja, e farejo com os olhos e tacteio as caixas, analiso os pormenores da construção, o detalhe minúcioso dos novos materiais como as fotogravuras, as resinas e os decalques feitos da mais precisosa delicadeza da precisão laser, a ânsia e o deslumbramento é o mesmo, embora todos nós continuamos sem perceber de onde é que isso vem, mas a sua origem assenta, nesse deslumbramento que ocorreu na nossa meninice, por certo.
Agora, uma e talvez a principal diferença, reside no facto de termos dinheiro no bolso, ou num qualquer pedaço de plástico (tipo: faz-de-conta-que-temos-dinheiro-no-banco), o que faltava então, não hesitamos em adquirir os kits às “pázadas”, enchendo diversos espaços em casa com castelos construídos de caixas empilhadas, castelos de sonhos que se calhar nunca iremos conseguir concluir ou concretizar, pela falta de tempo, desmotivação ou Parkinson, pois não sabemos o que nos reserva o futuro.

Mas eu estava a falar de kits porquê ...? Ah, já sei !
É aqui que reside parte ou a totalidade da doença, à mistura com outras coisas por aqui ditas, por mim ou por outros igualmente sapientes de como estas coisas surgem e igualmente doentes, da doença deste bicho, o dos aviões.


Acabei por falar um pouco (talvez demais) do modelismo, mas o modelismo não é só feito deste simples e elementar fascínio, é algo de mais complexo, como o próprio hobby em si, é ele minucioso, delicado e picuínhas (ó Dias: não estou a falar de ti), é algo que é só nosso e não conseguimos transmitir, por mais que estupidamente continuemos a tentar.
Depois, há toda uma vertente alargada do modelismo, a interacção do indivíduo com o público (néscio) e com os outros indivíduos modelistas, e as suas coloridas e acesas interacções. As associações ou grupos ou tertúlias, os fóruns na internet, e as exposições e as mostras, e as competições, e sei lá mais o quê...
Mas se começo a falar disso, não só não saímos daqui como também, não vamos a lado nenhum, além do mais não é própriamente o propósito deste espaço.
Mas como eu não sou modelista, nem percebo nada do assunto, não sei bem o que teria para acrescentar.

Ass: 5513

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