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No âmbito de um trabalho ao qual estive afecto há um par de anos atrás, coube-me efectuar a recepção de vários tubos de polietileno gigantescos, que vieram rebocados por mar até ao porto de Aveiro.
A operação de os fazer entrar na barra e canais do porto, era crítica, ou não estivessem envolvidos largos milhares de euros relativos ao material, já para não falar nos prejuízos que a obstrução do porto por algum imponderável na manobra de tubos com quase 500m de comprimento, inevitavelmente causaria.
Estava-se precisamente na altura crítica de entrar na barra do porto, quando a "comitiva" de rebocadores e carga foi sobrevoada por uma parelha de F-16, qual escolta de recepção à chegada de VIPs.
A câmara fotográfica que empunhava, para registar o decorrer das manobras ou qualquer outro facto significativo, registou por isso essa passagem, não com muito detalhe é certo (a modesta Sony Cybershot não dava para muito mais) mas o suficiente para fazer prova do instante quando necessário.
Felizmente tudo decorreu da melhor forma e como que a comemorar o sucesso da operação, ao passar pelo aeródromo de S.Jacinto que é "paredes meias" com o canal principal do porto, o longo comboio marítimo foi ainda brindado com uma sessão de acrobacia aérea, de alguma aeronave residente, tal como atestam mais uma vez as imagens.
A Sony não serviu por isso para registar nenhum incidente, mas conseguiu averbar fotos de aeronáutica dignas do "pior spotter do mundo!"
13711 ainda operacional na BA5 - Monte Real em 2004
13713 pertencente ao acervo do Museu do Ar na BA1- Sintra
13710 exposto no pólo do Museu do Ar no AM1 - Maceda
As férias na praia da minha infância ficaram incontornavelmente marcadas pelos FTB. Durante largos anos passadas na Praia de Mira, a escassos 30km a Sul de S.Jacinto onde estavam então baseados os FTB, garantiam uma presença quase banal dos puxa-empurra a cruzar os céus, com o seu ronco característico.
Só anos mais tarde, na enciclopédia de aviação “Aviões de Guerra” lançada na segunda metade da década de 80, soube da fama que granjearam tais aviões na guerra da Rodésia, onde tiveram a utilização que se pretendia aquando da aquisição pela Força Aérea Portuguesa, então empenhada nas guerras coloniais.
Com funções de ligação aérea, evacuações medico-sanitárias e apoio aéreo aproximado, a versão portuguesa FTB-337G, recebida entre 1974 e 1976, não chegaria a ser usada em combate, limitando-se a uma tranquila carreira que terminaria em 2007, então na BA1 em Sintra.
Restam actualmente algumas células conservadas quer na BA1 quer no AM1 em Maceda e algumas voam ainda com matrículas civis, após venda a entidades particulares.
Da história da sua operação na FAP, para além do ruído característico que guardo na memória, fica ainda o aspecto “agressivo” da versão armada com lançadores de foguetes debaixo das asas, que em Portugal nunca passaram de ameaças.
A Guerra Fria foi um período histórico que mediou entre o final dos anos 40 do século passado e 1989, data da demolição do Muro de Berlim ...
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