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quinta-feira, 20 de março de 2014

GOVERNO PRETENDE MUDAR AUTORIDADE NO AR E NO MAR (M1481 - 96PM/2014)


As Forças Armadas (FA) arriscam perder a chefia da Autoridade Marítima Nacional e da Autoridade Aeronáutica Nacional que hoje detêm nas operações civis de fiscalização e segurança, tanto no mar como no espaço aéreo. Numa proposta a que o PÚBLICO teve acesso, o Governo admite que as FA passem apenas a "disponibilizar" recursos a esses órgãos, quando hoje são as FA que "dispõem" dessas autoridades.

Esta é a conclusão a retirar das propostas de lei orgânicas que o Governo tem já prontas e tenciona apresentar ao Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN) na próxima segunda-feira, antes de as aprovar em Conselho de Ministros e enviar para o Parlamento. Desde o início do seu mandato que o ministro da Defesa assumira a intenção de rever as leis orgânicas de Defesa Nacional (LDN) e de Bases da Organização das Forças Armadas (LOBOFA).

É na proposta de projecto da LOBOFA que José Pedro Aguiar-Branco, numa frase, retira o protagonismo às Forças Armadas. No capítulo relativo à organização dos ramos das FA é proposto que estes “podem [...] disponibilizar recursos humanos e materiais necessários ao desempenho de atribuições e competências de órgãos ou serviços regulados por legislação própria, nomeadamente a Autoridade Marítima Nacional e a Autoridade Aeronáutica Nacional.”

Na legislação actualmente em vigor, a redacção é diferente: “Os ramos podem dispor de outros órgãos que integrem sistemas regulados por legislação própria, nomeadamente a Autoridade Marítima Nacional e a Autoridade Aeronáutica Nacional.”

A forma como a alteração está redigida abre a porta à possibilidade de que os militares passem a estar subordinados a entidades nas quais podem deixar de ter qualquer representação. Limitando-se a ceder os seus activos para a prossecução de missões de fiscalização e vigilância no mar e no ar. Missões como as de busca e salvamento no mar português, onde a Marinha e a Força Aérea trabalham em conjunto.

O PÚBLICO confrontou o Ministério da Defesa sobre as implicações da nova redacção e o porquê da alteração. Do gabinete do ministro José Pedro Aguiar-Branco apenas foi comunicado que se estava perante “um documento de trabalho”. Isto apesar de os documentos a que o PÚBLICO teve acesso se intitularem “proposta de lei orgânica” e de haver a intenção de as apresentar ao CSDN na segunda-feira. Em qualquer caso, a proposta de lei orgânica terá de ser aprovada no Parlamento, dado serem matérias de competência partilhada.

Matéria sensível na Constituição

A questão não é nova. Desde há anos que se debate o emprego de forças militares em missões de segurança interna. Uma matéria sensível em termos constitucionais, uma vez que as FA estão impedidas de assumir missões internas a não ser em situações de emergência.

Os sucessivos governos e a Armada ensaiaram uma solução para o problema com o conceito da Marinha de “duplo uso”. Que se concretizou com a criação, em 2002, da Autoridade Marítima Nacional e a junção - sob a sua tutela, no organigrama, da Marinha - da Polícia Marítima, do Instituto de Socorros a Náufragos, das capitanias dos portos, entre outros órgãos. Actualmente, a AMN está regulamentada na lei orgânica da Marinha. Para contrabalançar as questões constitucionais, a AMN e os órgãos que a compõem são sempre apresentados como uma componente civil da Marinha e do Ministério da Defesa. O chefe de Estado-Maior da Armada tem, portanto, a dupla responsabilidade de liderar a Marinha e a AMN.

A nova redacção fez soar o alarme, já que abre a porta à transferência destas autoridades para outra tutela política. Nomeadamente, o Ministério da Administração Interna.
A Marinha tem assumido uma posição mais assertiva do que a Força Aérea nesta matéria por ter uma tradição de mais de 100 anos de representação da soberania nacional no mar. Mas a verdade é que entretanto foram transferidas competências e recursos, em particular, da Marinha para outras entidades, como a GNR na orla costeira. Uma mudança que tem gerado uma guerra surda entre organismos do Estado.

O PÚBLICO contactou antigos responsáveis destes dois ramos sobre as alterações à lei. “Não acredito que isso possa ser verdade”, reagiu o Almirante Melo Gomes, que foi Chefe do Estado-Maior da Armada durante cinco anos até 2010. “Estou a ouvi-lo e estou-me a arrepiar todo”, reconheceu o General Fernando Seabra, comandante operacional da Força Aérea até 2000.

A reacção não podia ser mais negativa. “Isso equivale a tirar aos ramos a capacidade de autoridade e de socorro e salvamento. Perverte a cadeia de comando e, além disso, pode implicar a criação de outros órgãos no Estado. No momento de emergência em que vivemos, é um crime de lesa pátria tomar essa opção”, dispara Melo Gomes.

O general da Força Aérea é igualmente crítico. “Uma situação desse género faz-me supor que mais uma vez estamos a ser usados e delapidados por interesses que eu não conheço”, denuncia, antes de admitir não conseguir perceber o porquê da decisão. “Ninguém nos pode apontar nada [à Marinha e à Força Aérea]: nem em termos de incompetência nem em termos de falta de resposta.”

Este antigo responsável militar admite a possibilidade de existirem outros interesses por trás da opção. “Há muita gente interessada em fazer a busca e salvamento”, adverte, antes de lembrar as elevadas verbas que as companhias aéreas pagam – as taxas de rota – para assegurar a segurança e vigilância do vasto território que está sob responsabilidade portuguesa.

Sobre estas críticas, o gabinete de Aguiar Branco preferiu não tecer qualquer comentário.

Mais poder para CEMGFA

Os dois projectos de lei avançam também com alterações ao nível da autoridade do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA). Que ganha um maior poder na esfera dos ramos. Na Lei de defesa Nacional é notório o esforço para subordinar os Chefes dos ramos ao CEMGFA, quando se estipula que estes “dependem hierarquicamente do CEMGFA nas matérias relativas à capacidade de resposta das FA”. Na lei em vigor, essa autoridade estava esbatida uma vez que o CEMGFA e os Chefes dos ramos dependiam do ministro da Defesa. Na LOBOFA, duas estruturas actualmente existentes, o Estado-Maior Conjunto e o Comando Operacional Conjunto desaparecem da presente proposta para dar lugar a um “comando de nível operacional” a ser tutelado pelo CEMGFA. Ao longo desta proposta repete-se por mais de uma vez a “dependência hierárquica” dos Chefes de Estado-Maior em relação ao CEMGFA.

Essa orientação é bem visível na LOBOFA quando esta abre a porta a que o CEMGFA assuma mesmo o comando dos ramos: “Para efeitos de apoio ao exercício do comando por parte do CEMGFA, os comandos de componente [naval, terrestre e aérea] poderão ser colocados na sua dependência directa, de acordo com as modalidades de comando e controlo aplicáveis a situações específicas de emprego operacional de forças e meios, a definir caso-a-caso.”

Outra alteração que está em vias de se concretizar é um maior poder do Parlamento em relação ao envio de missões militares no estrangeiro. Qualquer decisão do Governo nesse sentido passa a ter de ser “apreciada” e “comunicada previamente” à Assembleia da República. A actual legislação dava ao Parlamento a possibilidade de “acompanhar a participação de destacamentos”. O Governo fica ainda obrigado a “comunicar à AR” a “decisão de envolver contingentes no estrangeiro” , bem como a “apresentar relatórios circunstanciados sobre esse envolvimento”.

Fonte: Público

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

EUA VOLTAM À ISLÂNDIA (M1260 - 336PM/2013)

F-15C da USAF de regresso a Keflavik    Foto:Dana Butler/USAF

Os últimos elementos do 48º Air Expeditionary Group (48ºAEG) da USAF chegaram à Islândia no dia 4 de novembro, para cumprir missões de patrulhamento aéreo naquele país da Aliança Atlântica que não possui forças próprias.

O policiamento aéreo da Islândia foi cumprido até 2006 integralmente pelos EUA. Com o fim da Guerra Fria no entanto, e a contração do orçamento de Defesa dos EUA, levaram a que a Islândia, anteriormente com localização estratégica relativamente à antiga URSS, perdesse a importância que teve em tempos.

O TCor Mark Sadler comandante do 493ºEFS  a bordo de um dos F-15C Eagle    Foto:Dana Butler/USAF

Os EUA abandonaram por isso a vigilância permanente dos céus da Islândia, passando a realizar-se de modo rotativo pelos países da NATO que disponibilizam os seus meios técnicos e humanos para o fazer, tal como aconteceu com Portugal há pouco mais de um ano atrás.

Os EUA regressam por isso a Keflavik uma vez por ano, onde outrora foi a sua base permanente, mas agora de modo temporário.

O 48º AEG é composto por mais de 200 elementos de todo unidades da USAF de todo o mundo: RAF Lakenheath, RAF Mildenhall, Sangdahlem AB, Ramsetin AB, Davis-Monthan AB, Tinker AB e Robins AB, forneceram meios técnicos e humanos para realizar o patrulhamento aéreo na Islândia.

Os F-15C estarão em alerta de 24/24 horas, contando ainda com a assistência dos KC-135 para estender a autonomia em voo e C-130J para ajuda na busca e salvamento, juntamente com a Guarda Costeira da Islândia.

Os KC-135 que vieram de Mildenhall       Foto:Dana Butler/USAF

O TenCor Lendy Renegar, comandante 48ºAEG, referiu a propósito que "em tempos de restrições orçamentais como os que vivemos, ajuda bastante quando todas as força sda NATO trabalham em conjunto. As nossas prioridades de topo são criar relacionamentos, confiança e experiência, enquanto cumprimos a nossa missão com sucesso e em segurança".

Fonte: USAFE
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro


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