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sábado, 28 de janeiro de 2023

UM CORSAIR II PORTUGUÊS NA POLÓNIA - [M2373 - 05/2023]

Numa visita recente à Polónia, o nosso colaborador Pedro "Pugachev" Monteiro partilhou com o Pássaro de Ferro algumas imagens sempre interessantes e originais. Não é todos os dias que vemos um velho conhecido da Força Aérea Portuguesa coberto de neve, em terras tão longínquas.


As imagens seguintes, foram obtidas igualmente pelo mesmo autor, mas em 2019, no final do verão, nas quais podemos ver o estado geral do avião. Notar a ausência das estações 1 e 8 e os depósitos (drop) nos dois esquemas utilizados operacionalmente. Este avião não chegou a ser rematriculado, uma vez que foi retirado do serviço operacional, antes dessa alteração, ocorrida em 1993/94.


O LTV A-7P Corsair II s/n 5502 tem a sua história resumida neste dossier, que pode e deve ser consultado aqui.

O Pedro "Pugachev" Monteiro Oliveira é um entusiasta pela aviação em geral, mas com particular ênfase na militar. Tem um canal no Youtube, (clicar nesta ligação), com excelentes imagens alusivas à aviação militar, captadas em diversos eventos e geografias e que convidamos vivamente a subscrever!

O Pássaro de Ferro agradece-lhe, evidentemente, a cedência destas imagens.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O HOMEM E A MÁQUINA (M370-12PM/2010)


Nos finais dos 70, princípios dos 80, altura em que estavam no pico da moda os documentários da natureza, existiu um de produção espanhola bastante popular intitulado “O homem e a Terra” que chegou mesmo a ser o programa com mais audiência da TV (como os tempos mudam…)
A foto que hoje publico, pertencente ao espólio que algum dia conseguirei tratar com a honra que merece e partilhar com os A7ólicos espalhados por esse mundo, tem já esse toque de peça de documentário, ou não tenham passado já quase 12 anos sobre a data do registo fotográfico. A própria aeronave, tem algumas unidades mais ou menos conservadas em museus ou portas de armas, tendo as remanescentes unidades começado a ser destruídas recentemente por obsoletas, sem uso prático restante.
Resta o piloto retratado, que já muitos me perguntaram qual a identidade e que era o na altura Cap PILAV João Caldas, que viria mais tarde a comandar a Esquadra 201 - Falcões, já em F-16, mantendo-se hoje em dia como adido na mesma Esquadra.
O facto de não se poder vislumbrar a identidade do piloto na foto, serviu curiosamente para muitos outros ex-pilotos de A-7 se terem revisto na cena representada, tantas vezes por eles repetida, num ritual a que só eles poderão dar valor como ninguém.
Por essa razão, várias vezes me foram solicitadas cópias por parte de alguns desses pilotos, como recordação de gratos momentos que, apesar de não serem em rigor o representado, poderiam perfeitamente ter sido.
Esta mesma foto, incluída no artigo que com o António Luís publicámos na Mais Alto de Julho/Agosto de 1999 após a retirada da frota, foi inclusive alvo de uma representação em quadro a óleo sobre tela, cuja imagem encontrei por acaso na Internet e cuja autoria infelizmente não registei.
As fotos dos A-7 lusitanos, são cada vez mais elementos de documentários históricos. Marcas de uma era, que ficaram de forma indelével em todos os que a protagonizaram.

O documentário de hoje, não foi apresentado pelo Félix Rodríguez de la Fuente nem se chama “O Homem e Terra”. Chama-se “O Homem e a Máquina” e malgrado os problemas que assolaram essa máquina a espaços, não conheci até hoje um piloto que tenha voado o A-7, que não guarde uma imensa saudade desse avião. Como de um cavalo selvagem que se ousou domar um dia, que nem sempre sendo dócil, tinha uma personalidade e beleza inigualáveis.



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

SOL DE INVERNO II (M352-4PM/2010)

15531 um dos últimos seis A-7P Corsair II operacionais num chuvoso dia de Fevereiro


Passaram recentemente onze anos sobre o dia em que captei a foto que aqui apresento hoje, em Fevereiro de 1999, já a frota A-7P entrava na recta final da sua operacionalidade, com apenas seis células activas, das 50 iniciais.
Sob uma chuva copiosa, os A-7P demonstraram todavia a sua capacidade "all weather", ainda que não significasse então o mesmo que nos dias de hoje.
Aproveitei a ocasião e registei as fotos (quase) alheio à intempérie, do mesmo modo que os bombardeiros que iam taxiando e levantando voo o faziam.
Esta não era no entanto a primeira vez que tal acontecia, uma vez que ao longo das sessões fotográficas que fiz no âmbito de um trabalho publicado na revista Mais Alto sobre  a carreira dos A-7 da Cruz de Cristo, várias vezes a precipitação colaborou na sua forma líquida.

Ao longo dos anos fui aprendendo no entanto, a não combater o que a “Divina Providência” proporciona e em vez de ficar aborrecido por um dia não sair como pretendia, tentar tirar o melhor partido do que sai na rifa.
Como dizia Fernando Pessoa “Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é.”

Reflexões românticas à parte, resta apenas dizer que essas sessões fotográficas à chuva me custaram uma lente, completamente irrecuperável de uma fungose aguda.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O VISCONDE DE DRACOPOULOS


A-7E grego - 22/07/2009


F-86F português - 04/10/1990

Quando no dia 10 de Julho passado escrevi “true love never dies”, numa alusão ao alegado poder do Conde Drácula de fazer regressar à vida aqueles por ele tocados, estava ainda longe de conhecer a surpresa reservada pela organização dos festejos dos 50 anos da BA5.


Com efeito os A-7 voltaram a voar nos céus lusitanos. E mesmo se isso não foi visível no dia dos festejos marcados para 22, apenas o facto de os ver rolar em Monte Real 10 anos depois da declarada “morte” da frota nacional, fez-me perceber o brilho que vi nos olhos de algumas pessoas, quando em 1990 vi um F-86 rolar nessa mesma base, também 10 anos depois da sua retirada de serviço. Quem diz que não se pode sentir afecto por objectos ou máquinas, está redondamente enganado. Ou isso ou estamos muitos de nós, que nos afeiçoamos a um carro, um avião, uma peça de arte.


Poder voltar a ver um A-7 operacional foi um privilégio, mesmo se não foi pela mão (ou dentes) do Conde Drácula. Talvez um seu parente helénico, quiçá de seu nome “Visconde de Dracopoulos”. O barulho não era bem o mesmo (até porque o motor não é igual) mas a imponência do Corsair fez-se notar, como tantas vezes ao longo de quase duas décadas.


Há que ter esperança que alguma das células do A-7P tristemente abandonadas por alguns recantos da base, tenha sido contaminada pelos últimos sobreviventes dessa nobre família e volte a ter vida outra vez.


Às vezes é preciso pouco mais do que vontade.


sexta-feira, 10 de julho de 2009

O ÚLTIMO CORSÁRIO

















A 10 de Julho de 1999, data sobre a qual decorrem hoje precisamente 10 anos, os então Maj Elvas e Ten Araújo, no 15521 (com pintura comemorativa) e 15531, respectivamente, escreveram o capítulo derradeiro na história do A-7 Corsair II em terras lusas.
Arrancando uma última e fulgurosa exibição no 15521, (o 31 apenas rolou no taxiway) como tantas vezes o fez na primeira metade da década de 90, então acompanhado pelo Cap Estevez entre outros, o Maj Elvas, comandante interino da Esq 304 ao dia da efeméride, pôs um ponto final numa frota que de (teoricamente) 50 aviões, chegou a Julho de 1999 com meia dúzia de resistentes, dos quais menos ainda em condições de voar, conforme facilmente se compreende.
Segundo comentado na altura, até o 21 ficou sem computador de bordo poucos segundos depois de levantar nesse último voo, tendo sido a exibição feita quase na sua totalidade, só a máquina e o homem.
Estórias como essas muitas haveria para contar, de um avião que além de marcar incontestavelmente uma época, marcou certamente a vida de muitas pessoas. Eu incluído.
Quem sabe não se consegue gerar um movimento de fundo para revitalizar uma célula de A-7P, nem que seja só pelo prazer de ouvir de vez em quando o ruído característico do P&W TF-30, e ver a inconfundível silhueta do SLUF a rolar em Monte Real novamente.
Como diria o Conde Drácula no seu característico sotaque romeno “trrue love neverr dies!”

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

PAINT MARKINGS





As duas fotos acima pertencem às células 5527 e 15545 dos saudosos A-7P, tiradas já no seu local de repouso final, vulgo DGMFA.
À parte da degradação denunciada pelas cores desbotadas, as duas fotos à primeira vista não têm nada de especial.
Já se atentarmos um pouco melhor pode distinguir-se no entanto um objecto fálico voador na foto de cima e na de baixo uma girafa em atitude algo comprometedora.
Segundo consta, no dia seguinte a festa rija no bar da esquadra, alguns aviões apareciam misteriosamente adornados com este tipo de simbologia, que segundo os mais entendidos tinham até algo de sobrenatural, apresentando vestígios de plasma levemente etilizado.
Talvez esteja mesmo relacionado com os famosos círculos que aparecem nos campos de cultivo ingleses.
Ou não.

PS: Nao vá alguém levar a conversa acima a sério, recomenda-se que esta seja lida com uma certa dose de ironia.

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