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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

USAF 2016 - ORÇAMENTO (M1786 - 24PM/2015)

Publicidade da Northrop Grumman ao novo bombardeiro de longo alcance para a USAF      Foto: Northrop Grumman

Nos últimos anos, a divulgação do pedido de orçamento para as Forças Armadas americanas, tem suscitado sempre elevado interesse. Tornou-se numa espécie de radiografia em que é possível analisar os programas que o Pentágono considera prioritários e quais estão destinados a serem sacrificados, dados os constrangimentos financeiros que o país tem vindo a atravessar, tal como na Europa.

A recente divulgação do pedido de orçamento para a Força Aérea dos EUA (USAF) para o Ano Fiscal 2016 (com inicio a 1 de outubro de 2015), foi mais uma oportunidade para escalpelizar quem sai e quem fica, um pouco à semelhança do defeso das épocas desportivas.

Assim, dentre os programas já ameaçados em 2015, salta à vista a insistência em “abater” o A-10, que mal-grado continuar na linha da frente, no combate ao Estado Islâmico no Médio Oriente, a USAF continua apostada em deixar cair. A proposta é que o modelo fique limitado a unidades da Guarda Aérea Nacional e Reserva, deixando as unidades de primeira linha da USAF. 

Ja o veterano avião de reconhecimento estratégico U-2, outra das frotas em risco de extinção, parece ver a sua vida prolongada por pelo menos mais três anos, de 2016 para 2019, enquanto o UAV que o devera substituir, o Global Hawk, não assume totalmente as funções.

Ja no campo das aquisições, dentro dos 122.100M USD  pedidos para a USAF para 2016, estão incluídos:

44 F-35A Lightning II
9   MQ-9 Reaper
14 C-130J Hercules
12 KC-46 tankers
8   MC-130 de operações especiais
5   HC-130 para resgate de combate
Modernizações nas frotas F-22, F-15 Eagle, B-2 e E-3 

Ainda assim, o pedido de orçamento está acima dos limites impostos pelo Ato de Controlo de Orçamento, o que significa que, caso não haja aumento desses limites, tal como previsível, mais cortes terão que ser realizados. 
Nesse cenário, KC-10, U-2, E-3, Global Hawk e F-15C estão na linha da frente para enfrentar a guilhotina, sendo a diminuição das horas de voo, redução da capacidade de reconhecimento e custos de investigação, opções adicionais para redução de custos. 14 F-35 poderão também ser sacrificados, para fazer quadrar os números dentro dos limites estabelecidos.
A ultima medida, pode ainda ser o adiamento da aquisição do novo avião presidencial Air Force One, um Boeing 747-8 recentemente anunciado, para épocas mais desafogadas.

Dentro dos programas a manter, estão a modernização da frota F-15C/D, que apesar da redução em numero de pelo menos 10 células em 2016, receberá novos radares AESA e melhoramentos no sistema de contramedidas eletrónicas.
O programa para o novo helicóptero de resgate de combate atribuído à Sikorsky, será custeado totalmente, não sofrendo qualquer corte.
Igualmente intocável, está o orçamento do programa de desenvolvimento do novo bombardeiro de longo alcance (LRS-B), destinado a substituir os B-52 e B-1 do inventário da USAF, atualmente o mais elevado dos programas de investigação e desenvolvimento, arrecadando 1200M USD para 2016, com incrementos adicionais para os anos subsequentes. Fora deste montante, poderão ainda estar verbas não divulgadas, provenientes do “saco azul” para programas secretos, que não estão sujeitos ao escrutínio publico.

Vários tipos de armamento novo, em desenvolvimento e modernizado, fecham as contas da USAF para 2016.

Segundo o Oficial Financeiro Chefe, o orçamento para o Ano Fiscal de 2016, representa “um balanço entre as necessidades do presente e as ameaças do futuro”.



domingo, 22 de junho de 2014

EUA BLOQUEIAM RETIRADA DEFINITIVA DO A-10 EM 2015 (M1627 - 73AL/2014)

A-10 - Créditos na imagem.

A Câmara dos Representantes do Senado norte-americano bloqueou, no passado dia 19 de junho a retirada definitiva dos A-10 durante o próximo ano de 2015.
A operação dos A-10 absorve, segundo o governo norte-americano afirma, 900 milhões de USDólares.
Em fevereiro passado, a administração Obama havia já submetido um orçamento que contemplava a retirada do A-10, dos helicópteros Bell OH-58D e  do mítico avião "espião" U-2.
Ainda assim, tendo em conta as muitas dúvidas que ainda pairam sobre o F-35, é de esperar que estas decisões ainda possam ser revistas, uma vez que as pressões para os EUA manterem as suas capacidades militares não são de escamotear, sobretudo nas alas mais conservadoras da administração daquela nação.

Nota: Para um melhor enquadramento da situação, ver esta edição do Pássaro de Ferro.

Fonte: FG
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro

domingo, 11 de maio de 2014

JEFF KLOSKY, 2500 HORAS DE VOO EM U-2 (M1579 - 61AL/2014)


O tenente-coronel Jeff Klosky é um aviador que passou grande parte de sua vida a voar ao crepúsculo e na aurora. Depois de uma longa carreira, abrangendo 19 anos no U-2, o fim da sua dedicação ao mítico avião aproxima-se.
Por ser filho de um oficial de Marinha, cedo Klosky se interesou pela vida militar e assim que atingiu a idade, ingressou num aeroclube e mais tarde na USAF.

Depois de completar sua primeira missão como piloto instrutor de T-37, Klosky estava à procura de um novo desafio. Vários dos seus camaradas se  haviam mudado para o U-2 , facto que despertou seu também o seu interesse.
"Eu queria fazer algo um pouco diferente", disse Klosky. E fez! Ofereceu-se como voluntário para as operações naqueles aviões.


Após cerca de seis meses de persistência, em maio de 1995, foi entrevistado e passou e passou a integrar o grupo de pilotos envolvidos com os U-2. Daí a poucos meses, estava a iniciar a formação.
Klosky passou aproximadamente sete anos a apoiar compromissos da USAF em todo o mundo, nomeadamente na França, Itália , Arábia Saudita, Coreia do Sul e em diversos outros pontos em todo o globo.
"No final desse período, eu acabei de sair da Força Aérea ", disse Klosky . "Tomei a decisão de estar mais em casa com a família . Como toda a gente, eu tenho uma história sobre onde estava no 11 de setembro Deveria ter sido nesse dia meu primeiro voo como um piloto de aviação cívil, mas isso nunca aconteceu. Naquele dia voltei para a Reserva da Força Aérea e acabei a apoiar as operações no U-2. Ao fim de perto de três anos, eu decidi que eu gostaria de voltar ao ativo e a Força Aérea deu-me a oportunidade de fazer isso. "



Ao fim e ao cabo, Klosky apoiou quase todas as grandes operações da Força Aérea norte-americana nos últimos 20 anos. A movimentação constante de requisitos operacionais, permitiu a Klosky acumular uma soma importante de horas de voo . 
Em 20 de abril de 2014,  tornou-se no terceiro piloto no ativo a atingir as 2500 horas de voo no lendário U-2.



"Voar o U-2 é uma experiência incrível", disse Klosky . "É uma pequena multidão, uma pequena parte da USAF. Diz o ditado que mais pessoas tem anéis do Super Bowl do que os que voam o U-2 . Espero que meus filhos tenham a oportunidade para voar no U-2 , e um dia e serem, provavelmente, um dos primeiros na dinâmica 'pai - filho, ou pai e filha' no legado do voo do U- 2. 
Eu não sei se é isso que eles querem fazer, mas eu gostaria de esperar que isso pudesse acontecer mas...


...Independentemente do que acontecer, foi uma honra ter sido uma peça fundamental e ativa na história desta aeronave. Posso olhar para traz e gritar: UAU! fiz algo de absolutamente espantoso!"

Fonte: USAF
Fotos: USAF/Tech. Sgt. Russ Scalf
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro
 

domingo, 4 de maio de 2014

U-2 LANÇA O CAOS NO TRÁFEGO AÉREO DO SUDOESTE DOS EUA (M1568 - 58AL/2014)


A história, divulgada pela cadeia de TV norte-americana, NBC, surge na sequência da entrada de uma autêntica relíquia da Guerra Fria no espaço aéreo de Los Angeles, na passada quarta-feira, cerca das 14 horas. O avião espião U-2, conhecido por ser usado para sobrevoar a Rússia a grande altitude há 50 anos atrás, entrou na zona do centro de controlo de Palmdale, que gere as aterragens e descolagens nos principais aeroportos da região, incluindo os aeroportos internacionais de Los Angeles, San Diego e Las vegas.
Os computadores do centro de controlo estão programados para manter as distâncias entre os aviões no seu espaço aéreo e evitar riscos de colisão. O U-2 estava a voar a uma altitude de 60 mil pés (cerca de 18 mil metros) mas os computadores estavam a tentar evitar a sua colisão com outras aeronaves que estavam na realidade muito abaixo.
As fontes citadas pela NBC dizem não serem ainda conhecidas as causas exatas do problema mas aparentemente a altitude e a rota do avião espião causou uma sobrecarga do sistema informático, denominado ERAM, que gera os dados de visualização para os controladores aéreos. Os sistemas de suporte também terão falhado.
Na sequência do problema informático, a Administração Federal de Aviação (FAA) decidiu fechar o espaço aéreo gerido por aquele centro de controlo, divulgando uma ordem nacional para manter todos os aviões em terra que se manteve durante uma hora e afetou milhares de passageiros.
Só no Aeroporto Internacional de Los Angeles, um dos mais movimentados dos EUA, foram canceladas 27 chegadas, atrasados 212 voos e foram redirecionados 27 voos para outros aeroportos. Vinte e três partidas foram canceladas e 216 foram atrasadas. Foram também registados atrasos nos aeroportos de Burbank, Long Beach, Ontário, Orange County e outros aeroportos da região do Sudoeste dos EUA.
De acordo com a NBC, o avião em causa era um U-2 com um plano de voo do Departamento de Defesa. A cerca de 50 quilómetros da região fica a base aérea de Edwards, um dos locais conhecido por receber aviões U-2.
Estas aeronaves ainda são utilizadas pela Força Aérea dos Estados Unidos, existindo planos para a sua retirada de serviços em poucos anos. Construídos há mais de meio séculos, os U-2 foram um dos principais instrumentos de vigilância aérea dos Estados Unidos.

Fonte: JN
Adaptação: Pássaro de Ferro

sábado, 20 de outubro de 2012

A CRISE DOS MÍSSEIS DE CUBA, 50 ANOS DEPOIS (M736 - 42AL/2012)


Imagem de um aparelho U-2, idêntico ao que reportou para a CIA a presença de mísseis soviéticos em Cuba.
Na sequência da Revolução Cubana, em 1959, Cuba inicia uma aproximação política e estratégica à então União Soviética, afastando-se de forma radical dos Estados Unidos e tornando-se, cada vez mais, num dos pontos mais instáveis da Guerra Fria. 
Esta aproximação de Cuba à URSS é materializada através de acordos militares, ao mesmo tempo que ali tão perto, se verificava a difícil digestão, por parte dos EUA, do fracasso da sua operação na Baía dos Porcos, algum tempo antes. Kennedy precisava "vingar" esse fracasso, levando a que Moscovo acusasse a administração americana de atos opressivos contra Cuba. Na sequência disso, os Soviéticos anunciam o envio de "Conselheiros Militares" e armamento para território Cubano.
A crise agudiza-se e em 1962, Nikita Khrushchev decide instalar, secretamente, mísseis soviéticos em Cuba. A 16 de outubro do mesmo ano, fotografias aéreas obtidas pela CIA, através de um avião "espião" U-2, confirmam a existência de rampas de lançamento capazes de operar mísseis nucleares. Dois dias depois, em 18 de outubro, o presidente Kennedy toma conhecimento do transporte em navios soviéticos, de mísseis em direção a Cuba, dando sequência ao agudizar da crise e aumentando a tensão nervosa no mundo e particularmente no "pentágono".

Khrushchev e Kennedy reunidos, em 1961 com as tensões URSS/EUA em cima da mesa, tensões essas que se agudizariam, meses mais tarde, por causa de Cuba.

Confrontado com uma opinião pública visivelmente em pânico, o Governo dos EUA decide agir com firmeza. Kennedy ameaça então invadir Cuba ou bombardear as rampas de lançamento dos mísseis.
O mundo estava então, nunca como antes e de certa forma, nunca como em todo o período da "guerra fria", à  beira de um conflito atómico de proporções bíblicas!
Contudo, e de certo modo para não radicalizar ainda mais a situação, Kennedy acaba por optar por uma solução que ainda hoje se verifica, meio século depois: o bloqueio naval à ilha, iniciado em 22 de outubro de 1962.
Imagem das áreas onde havia mísseis e instalações/material de apoio.

Perante esse bloqueio, uma dúzia cargueiros soviéticos que já rumavam a Cuba, invertem a marcha e iniciam a navegação rumo aos portos da URSS de onde provinham. 
A 26 desse mesmo mês, Khrushchev anuncia oficialmente a Kennedy que retiraria os seus mísseis sob supervisão da ONU, e também sob a condição dos Estados Unidos não invadirem Cuba e susterem a colocação de ogivas nucleares na Europa, apontadas a Leste. 
Tendo em conta este aliviar de tensão, o mundo acabava de passar por uma das mais sérias e ameaçadoras crises militares, que certamente despoletaria num conflito militar nuclear em larga escala e que seria absolutamente catastrófico para a humanidade.
Passados 50 anos, a "espada nuclear" de certo modo desvaneceu-se, muito embora se pergunte sempre se atualmente o mundo é ou está ou não mais seguro. Tendo em conta o perigo de armas nucleares poderem ser adquiridas, sem controlo, por grupos terroristas - que as utilizariam sem um módico de controlo ou peso de consciência - ou serem produzidas em países cujos regimes são totalitários, como a Coreia do Norte ou o Irão, subsiste, ainda assim, um certo estado de ansiedade latente, embora menos agudo, mas que fez parte do dia a dia de muitos milhões de pessoas em todo o mundo, de forma quase dramática.

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