sábado, 10 de setembro de 2022

AT-6 WOLVERINE ALCANÇOU O U.S. AIR FORCE MILITARY TYPE CERTIFICATION - [M2339 - 54/2022]

Quando muito se fala sobre a possibilidade de a Força Aérea Portuguesa (FAP) adquirir aeronaves ligeiras de ataque ao solo, que também teriam uma versão de instrução para ser usada no treino inicial dos Pilotos dos F-16, a Textron Aviation Defense (proprietária da Beechcraft) alcançou em Julho de 2022 mais um passo importante para o seu AT-6 Wolverine, com a certificação militar (U.S. Air Force Military Type Certification - MTC). 

Com a venda de um lote importante às Forças Armadas dos Estados Unidos a Textron passa assim a poder concretizar vendas da aeronave a Países aliados, por meio do programa de vendas militares estrangeiras (Foreign Military Sales – FMS), patrocinado pelo governo dos EUA, e que torna o AT-6 ainda mais atrativo. O processo de aquisição por FMS não elimina, no entanto, o atual processo de vendas comerciais diretas (DCS – Direct Comercial Sales) que é sempre mais rápido, e na maioria da vezes mais eficiente em custo, e que se manterá para os clientes que assim o desejem. Também foram vendidos pacotes de treino para o TACT (Terminal Attack Control Trainer) da Marinha dos Estados Unidos para uso do AT-6 Wolverine no treino de uso de armamento real coordenado pelas equipas de FACs (forward air controllers) e JTACs (Joint terminal attack controllers).

O porquê de um avião de ataque ligeiro

Desde a guerra do Vietname que houve na US Air Force uma sucessão de tentativas de colocar em campo uma aeronave de ataque ligeiro de baixo custo. O programa OA-X (a origem do Light Attack Experiment) e a busca por uma nova plataforma para atender às necessidades da guerra irregular remontam a 2008. Este programa exigia um projeto pronto para uso de modo a garantir que o processo de desenvolvimento, avaliação e envio para o terreno seria rápido, e a um custo reduzido. A aeronave teria de ser capaz de operar a partir de zonas austeras em bases operacionais avançadas e ser amplamente autossustentável, pois seria empenhada a partir de bases onde faltariam capacidades de manutenção. 

Os aviões de ataque ligeiro continuam um tema quente para a Força Aérea dos EUA que tem evoluído através de inúmeras iterações. Enquanto alguns oficiais superiores olham este investimento como um desperdício desnecessário de dinheiro numa altura de orçamentos apertados que se devem concentrar inteiramente em caças avançados de quinta geração, outros defendem, acertadamente, uma combinação de forças que seja sensata e sustentável onde seriam utilizadas aeronaves de ultima tecnologia, assim como outras altamente eficientes e de baixo custo no investimento e na sustentação. 

De facto, nas últimas duas décadas, a prontidão das melhores aeronaves de combate Americanas e das suas tripulações aéreas altamente treinadas e preparadas para conflitos de intensidade alta contra adversários com capacidades equivalentes, foi prejudicada pelo emprego constante no combate a ameaças assimétricas, de baixo grau de intensidade, e que muitas vezes nem foram consideradas como uma ameaça antiaérea credível. 

Por exemplo, em 2017 um F-22 Raptor no Afeganistão foi empenhado para atingir um laboratório de drogas no valor de cerca de US 2.800,00 $. Este caça furtivo custa cerca de US 70 000,00 $ por hora de voo, e foi utilizado para desempenhar uma missão que em comparação, poderia facilmente ter sido alcançado por um caça AT-6 Wolverine que custa cerca de US 1 000,00$ por hora de voo, e com um custo de aquisição infinitamente mais baixo.

Sobre este tema, o Tenente-General Arnie Bunch, da USAF's office for acquisition, refere: “If we can get light attack aircraft operating in permissive combat environments, we can alleviate the demand on our fourth- and fifth-generation aircraft, so they can be training for the high-end fight they were made for.”.

O AT-6 é adequado para missões de apoio aéreo próximo (CAS -Close Air Support) e tarefas de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR -Intelligence, surveillance and reconnaissance). A Textron Aviation Defense diz que o AT-6 emprega uma gama incomparável de armas (“employs an unmatched range of weapons”) para aeronaves de sua classe. (Foto por TEXTRON Aviation).

O AT-6 Wolverine

Esta aeronave é a versão moderna de ataque ao solo do venerável avião de instrução Beechcraft T-6 Texan II que é usado por todos os ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos da América e mais 12 nações estrangeiras. O AT-6 Wolverine mantém 85% de peças em comunhão com o Texan II, e embora as versões mais antigas deste avião sejam já amplamente conhecidas pelos Pilotos da FAP, que o voam para a sua formação no F-16 nos Estados Unidos da América. Este avião de instrução já é vendido na versão C, D e C+, que foi amplamente modernizada com os mais modernos aviónicos, de modo a simular o cockpit do A-10 e do F-16. 

O Wolverine compartilha o “DNA” do avião de treino T-6 Texan II, mas possuí um pacote de combate que entre outros elementos incluí blindagem integrada e aviónicos do F16 e do A10, tendo sido especialmente desenhado para um amplo espectro de missões que se encaixam no molde de ataque ao solo (Foto da US Air Force).


O avião de treino T-6 Texan II tem um longo Historial de qualidade e fiabilidade. Em Portugal os Pilotos da Força Aérea conhecem bem os modelos mais antigo desta família de aeronaves, no entanto a aeronave já vai nas versões D e C+, que, além de vários upgrades, vem equipada com os mais modernos aviónicos, de modo a simular o cockpit do A10 e F16. (esquema da TEXTRON Aviation).

O AT-6 Wolverine possuí um motor Pratt & Whitney Canada PT6A-68D de 1.600 Shaft HorsePower, que fornece uma relação peso-potência inigualável por outras aeronaves turbo-hélice de ataque ligeiro. O Wolverine destaca-se ainda mais graças aos seus aviónicos de eficácia comprovada, com sistemas e sensores de combate utilizados pela US Air Force. Estes também o tornam compatível com todos os equipamentos digitais de voz, dados e vídeo usados pelos JTAC (Joint Terminal Attack Controller) dos Estados Unidos assim como dos seus aliados da NATO.

Além disso, a aeronave possui um Full Glass Cockpit Esterline CMC 4000 certificado pela FAA e um sistema de missão de combate desenvolvido pela Lockheed Martin que é o mesmo que é usado no A-10 e no F-16. Isto faz com que o cockpit seja uma área de trabalho muito semelhante ao F-16 e que exista um interface piloto/aeronave similar, resultando numa familiarização muito fácil e imediata para qualquer piloto de F-16.

A aeronave está equipada com uma camara L-3 Wescam MX-1 5Di que fornece imagens a cores ou infravermelho, com designador a laser, iluminador a laser, rastreador de pontos a laser e telémetro laser. Conjuntamente com os seis pontos de fixação (hardpoints) sob as asas, dos quais quatro são compatíveis com armas inteligentes graças à cablagem Mil Std 1760, dá ao Wolverine uma capacidade orgânica para encontrar e designar alvos, que podem ser atacados usando uma ampla gama de armas de precisão.

Com 6 pontos de fixação, AT-6 possuí uma flexibilidade na acoplação e utilização de armas bastante superior a outras aeronaves da sua classe. Desde simples metralhadoras pesadas, até a bombas inteligentes, o Wolverine está preparado para um enorme espectro de missões. (Foto por TEXTRON Aviation).

Os pods de metralhadora pesada FN Herstal HMP-400 de .50cal (12,7 mm), rockets Hydra de 70mm (não guiados), os rockets de 70mm guiados (BAE Systems Advanced Precision Kill Weapon System - APKWS), bombas de queda livre mk81/82, bombas guiadas a laser GBU-12/58 (LGBs), mísseis antitanque AGM-114K/M/P e R Hellfire, foram todos aprovados e certificados para uso no Wolverine, com resultados espetaculares ao nível de potencial de combate e precisão. 

Com 85% de peças e ferramentas em comum com o avião de treino T-6 TEXAN II, a uniformização da frota é uma enorme vantagem, especialmente se os clientes quiserem criar rapidamente novas esquadras de aeronaves de ataque ligeiro, aproveitando tanto as linhas de pensamento de treino, tanto como as cadeias logísticas de suas frotas de treino dos T-6 existentes ou a adquirir. 
Facilmente um ramo das Forças Armadas que queira adquirir um avião de treino muito económico poderá adquirir alguns T-6 Texan II, e depois complementar para missões de combate com aviões de ataque ligeiro AT-6 Wolverine, poupando assim as aeronaves de combate ao desgaste diário do treino de Pilotos. 
O AT-6 destaca-se de outras aeronaves suas concorrentes devido aos seus aviónicos e equipamentos eletrónicos superiores, à sua capacidade de transportar mais armamento a maior altitude, muito mais flexibilidade na variedade de armamento, e de conseguir descolar de pistas de terra mais curtas que os outros da sua classe.

O AT-6 Wolverine tem um custo-benefício excelente, especialmente tendo em conta os seus baixos custos de manutenção e as suas capacidades de alta performance em missões de apoio aproximado ao solo (CAS - Close Air Support). Na foto podemos presenciar a sua capacidade de descolagem a partir de pistas em ambientes austeros. (Foto por TEXTRON Aviation).

Esta aeronave tem a capacidade de se encaixar perfeitamente nas estruturas existentes das Forças Aéreas modernas. A abrangência global da Textron, especialmente em termos de cadeia logística, sustentação [ILS] e sistemas abrangentes de treino de pilotos já apoiaram a frota mundial de mais de 1000 unidades das várias versões do T-6s que foram produzidas desde os anos 90. Com uma frota global que ultrapassa 3,2 milhões de horas de voo em mais de uma dezena de países, a Textron possuí décadas de experiência minimizando assim quaisquer possíveis obsolescências de componentes, diminuindo o custo vida dos ciclos de vida dos componentes e garantindo altas taxas de prontidão. Além disso, os pilotos que treinam no T-6 fazem uma transição muito natural para o AT-6. 

Tom Webster, piloto de testes do AT-6 explicou que “Throughout the Light Attack Experiment, US Air Force, Navy and Marine Corps aircrew - many of whom had previous experience with the T-6 Texan II in pilot training - validated the AT-6's world-class capabilities. In flight, they demonstrated the Wolverine's superior range, handling, climb rate and aerodynamic performance, especially when they conducted dissimilar formation flights with our competitor. On the ground, the AT-6's superior power-to-weight, low center of gravity and markedly smaller taxi turn radius made it the much easier aircraft to operate during austere, unimproved runway assessments. Bottom line, they saw that the AT-6 performs better, flies faster, goes further, climbs higher and does more.”

O programa Light Attack Experiment da USAF continua a avaliar se uma nova plataforma de apoio aéreo aproximado, de baixo custo, pode ajudar a reduzir o desgaste nos esquadrões de combate da linha de frente. Para o AT-6 Wolverine da Textron Aviation, a hipótese de poder ser a escolha para essa função é cada vez mais realidade uma vez que outros Países já optaram por essa escolha e cada vez mais serão mais evidentes os benefícios a combinação de jatos de ultima geração para conflitos de alta intensidade, complementados por aviões de ataque ligeiro para conflitos de baixa intensidade e guerra irregular. (Foto por TEXTRON Aviation)

Texto e seleção de imagens: Bryan Ferreira
Edição: Pássaro de Ferro


quinta-feira, 8 de setembro de 2022

P-3 DA FAP DESTACADO EM ITÁLIA [M2338 - 53/2022]

O P-3C CUP+ da Esq, 601 n/c 14809 agora destacado em Sigonella         Imagem de arquivo

Um destacamento de 36 militares da Força Aérea Portuguesa e uma aeronave P-3C CUP+ da Esquadra 601 (Lobos), partiram  no dia 6 de setembro, para Sigonella em Itália, para integrar as Operações “IRINI” e “SEA GUARDIAN 2022”. A informação foi avançada pelo Estado Maior General das Forças Armadas na tarde de hoje.

Contingente da Esq. 601 à partida para o destacamento  Foto: EMGFA

A Operação “IRINI”, no âmbito da União Europeia (UE), no Mar Mediterrâneo, tem por finalidade a aplicação do embargo ao armamento imposto pela ONU, em áreas específicas da costa Norte da África Central, e contribuir para a disrupção das redes de imigração ilegal. A Operação “SEA GUARDIAN” tem por finalidade promover a segurança marítima no Mar Mediterrâneo, de forma a garantir a liberdade de navegação e o conhecimento situacional da área, com foco nas atividades de tráfico de estupefacientes, armas e pessoas, vigilância do tráfego marítimo e poluição marinha.

A missão tem uma duração prevista de três meses.

Os "Lobos" têm contribuído regularmente em missões de patrulhamento do Mediterrâneo na última década, tanto em missões da NATO como da União Europeia.



quarta-feira, 7 de setembro de 2022

PRIMEIRO C-390 CHEGA A PORTUGAL EM OUTUBRO [M2337 - 52/2022]

António Costa discursando em frente a um KC-390 no aeroporto de Faro    Imagem: RTP
 

Na manhã de hoje, em Faro, o primeiro-ministro António Costa revelou que o primeiro avião C-390 da Força Aérea Portuguesa, chegará no próximo mês de outubro.

No dia 7 de setembro de 2022 comemoram-se dois séculos da independência do Brasil. Por feliz coincidência, 7 de setembro é também o dia do município de Faro, cidade que se empenhou nos últimos tempos, em batizar o aeroporto internacional da cidade com o nome do Almirante Gago Coutinho, ilustre filho da terra, que realizou a primeira travessia aérea entre Portugal e o Brasil, há um século atrás. 

O dia não podia por isso ser melhor escolhido, para a realização da cerimónia de batismo do aeroporto, que contou com a presença do primeiro-ministro português. 

Discursando em frente a um KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira, aeronave que resulta de "uma parceria única entre Portugal e o Brasil", António Costa revelou que as cinco aeronaves encomendadas pelo estado português "a partir de outubro, começarão a chegar anualmente para serem entregues à Força Aérea Portuguesa". O primeiro-ministro fez questão de sublinhar também o interesse em prosseguir no futuro com a parceria entre as indústrias aeronáuticas dos dois "países irmãos".

Mais tarde, a mesma informação foi repetida na conta da rede social Twitter de António Costa:


A primeira célula KC-390 Millennium destinada à Força Aérea Portuguesa, está em fase avançada de testes de voo no Brasil, envergando já as cores portuguesas. Depois de chegar a solo luso, irá contudo ainda incorporar equipamentos específicos da versão da FAP, e ser submetida à respetiva bateria de testes para certificação, antes de finalmente ser entregue.





domingo, 4 de setembro de 2022

HELICÓPTEROS UH-60 "BLACK HAWK" PARA COMBATE A INCÊNDIOS - [M2336 - 51/2022]

Helicóptero Black Hawk do Exercito Norte-Americano apoia operações de combate a incêndios no estado do Michigan 
(Foto da Guarda Nacional do Michigan).

A empresa Norte-Americana Arista Aviation, representada em Portugal pela Sodarca Defense, ganhou o concurso público da Força Aérea Portuguesa (FAP) para a aquisição de 6 Helicópteros Bombardeiros Médios (GCMIR/5021017626) que serão usados no Combate a Incêndios em todo o território Nacional.

A FAP vai assim estar equipada com um dos melhores Helicópteros do mundo a combater incêndios. A exemplo da Califórnia, da Polónia, da Austrália e de outros locais por todo o mundo, Portugal irá estar munido, a partir de 2023 com Helicópteros SIKORSKY UH-60 Black Hawk. 

Em cima, um Black Hawk recondicionado e depois equipado para Operações Militares de Busca e Salvamento em áreas de conflito.  (Foto da Arista Aviation).

A FAP conseguiu, através de um concurso público exaustivo para aquisição de seis helicópteros médios, adquirir aquela que é a aeronave mais polivalente do planeta. O Black Hawk, é um Helicóptero Bimotor, fabricado pela Sikorsky (hoje em dia pertencente ao grupo Lockheed Martin), que começou a sua operação em 1979 como um puro Helicóptero militar utilitário (Utility Helicopter – UH) do Exército dos Estados Unidos da América. No entanto, esta aeronave obteve tanto sucesso que rapidamente foram produzidas as mais variadas versões, desde helicópteros para a guarda costeira, marinha, força aérea, operações especiais e até versões de ataque (chamados gunship). Também os Marines Norte Americanos usam a versão VH-60 Night Hawk para transportar o Presidente dos Estados Unidos, ficando nessa altura nomeado como Marine 1. 

O Black Hawk, para além das entidades civis que equipa, serve os militares dos EUA e as forças armadas de 28 outros países em todo o mundo como um helicóptero utilitário extremamente resistente e de alta fiabilidade. Mais de 4.000 helicópteros H-60 estão hoje em serviço em todo o mundo. O Exército dos EUA é o maior utilizador com cerca de 2.135 aeronaves H-60, de vários tipos. Nos últimos anos, o Exército Americano encontra-se numa campanha de renovação das suas frotas e a colocar à venda no mercado algumas plataformas. Várias foram as entidades (empresas civis, departamentos de bombeiros, forças armadas aliadas, etc.) a aproveitar esta situação e equiparem-se com estes Helicópteros, que de outra forma teriam preços muitíssimo mais elevados se fossem novos. 

Helicóptero H60 recondicionado para combate a incêndios e equipado com um tanque externo de 4000L de água.
(Foto de Helitak)

Foi aqui que a Arista Aviation ganhou relevância Internacional, especializando-se na compra destas plataformas às Forças Armadas Americanas. O seu modelo de negócio passa por desmontar as aeronaves por completo, fazendo o recondicionamento das partes com potencial, substituindo aquelas que estão em fim de vida, instalando novos aviónicos e sistemas eletrónicos. O resultado é um Helicóptero como novo de produção, com aviónicos e sistemas tecnológicos atuais, por um valor significativamente abaixo daquele que custaria um novo.

COCKPIT DIGITAL QUE EQUIPARÁ A VERSÃO PORTUGUESA

Seja em operação, em manutenção ou no recondicionamento, os funcionários da Arista são profissionais altamente qualificados. A Arista tem uma equipa com décadas de experiência a trabalhar com este tipo de Helicóptero. Por exemplo, alguns dos pilotos de teste no UH-60 operam-no desde 1983, sendo que uns pertenceram ao famoso 160th Special Operations Aviation Regiment (conhecidos como Night Stalkers). Também vários engenheiros e técnicos de manutenção da Arista apoiaram o UH-60A nas Forças Armadas dos EUA durante mais de 25 anos. 

Embora os maiores clientes da Arista Aviation sejam empresas privadas e departamentos de bombeiros, a empresa também conseguiu posicionar-se no mercado como um parceiro de especial importância para algumas Forças Armadas da América do Sul que usam Black Hawk, assim como alcançou exportações importantes na Europa, Ásia e na Oceânia.

Para além de fazer o recondicionamento destas aeronaves para combate a incêndios, a Arista prepara as mesmas para missões de busca e salvamento em combate. A Arista tem a capacidade de incorporar blindagem, sistemas de resgate a feridos graves em combate (Air Med Evac), sistemas de armas modernos, sistemas de vigilância eletrónicos ao solo com definição no espectro visível ou Infravermelho a vários KM de altitude e até na instalação de guiamento para misseis e/ou rockets.

Para este concurso de Helicópteros Médios para combate a incêndios, a Arista aliou-se à Sodarca Defense. Esta ultima, com uma experiência comprovada ao nível de equipamentos militares (representando gigantes da Defesa como a General Dynamics ou a FN Herstal, que equipam as Forças Armadas Portuguesas). Como empresa participada do Grupo Sodarca, está a Helibravo, empresa operadora da maior frota de Helicópteros em Portugal a desempenhar a função de combate a incêndios. Esta aliança tem como vantagem para Portugal a transferência de tecnologia e know-how no recondicionamento e manutenção dos UH-60 Black Hawk pela Arista, para com a Industria Portuguesa, com a manutenção e operação de Helicópteros em combate a incêndios do Grupo Sodarca.

Durante os últimos 40 anos, o notável helicóptero multiusos Black Hawk foi o elemento que significou vantagem dentro e fora de inúmeras operações de alto risco, tenham sido elas em conflitos armados ou operações de carácter civil. Esta aeronave, considerado por muitos como sendo o melhor helicóptero multifunções do mundo foi utilizado para inserir e extrair tropas, fazer busca e salvamento nas zonas mais inóspitas do planeta, salvar vidas como MEDEVAC ou plataforma de evacuação de vítimas em sangrentos campos de batalha, fornecer suprimentos críticos a tropas em zonas isoladas, entregar suprimentos de emergência durante desastres naturais, transportar viaturas e outro tipo de equipamento pesado para zonas remotas, fazer vigilância de fronteiras, vigilância marítima e guerra antissubmarina, transportar o Presidente dos Estados Unidos, e também como Helicóptero de combate a incêndios. Este tipo de aeronave tem desempenhado bem documentadas missões de grande relevo no combate a grandes incêndios Florestais descontrolados. Nos estados Unidos, nenhum outro Helicóptero tem sido tão importante na defesa das populações e do meio ambiente como o Black hawk, de tal modo que tem sido adaptado de várias formas, inclusive com tanques externos (belly tank) de modo a poder transportar 4000L de água, o que o transforma num Helicóptero pesado de combate a incêndios. 

Fotomontagem do hipotético esquema de pintura dos futuros Helicóptero Black Hawk da Força Aérea Portuguesa.
(Foto original das Forças Armadas dos Estados Unidos). 

De relevar que foi assinado, no passado dia 25 de abril, o protocolo de colaboração entre o California Department of Forestry and Fire Protection (CAL FIRE) e a Agência Nacional para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF - https://www.agif.pt/pt/assinado-protocolo-entre-o-cal-fire-e-a-agif). A CAL FIRE dedica-se à proteção contra incêndios, e à promoção da gestão da vegetação dos territórios (26Mha) da Califórnia a mais de 40 milhões de habitantes. Este departamento Californiano desenvolveu um Programa de gestão integrada de Incêndios que inclui atividades como engenharia de pré-incêndio em áreas florestais, gestão da vegetação e dos incêndios, sensibilização e educação da população e ainda a aplicação da lei. A CAL FIRE possui vários helicópteros Black Hawk ao seu serviço.

Antevisão (hipotética) do esquema de pintura dos futuros Helicóptero Black Hawk da Força Aérea Portuguesa 
(Foto Arista Aviation). 

A Força Aérea faz assim a aquisição de 6 helicópteros fenomenais, com capacidade de operar nas condições mais adversas, extremamente polivalentes e fiáveis, com uma capacidade de carga difícil de igualar na sua classe, muito fáceis e económicos de manter, com baixo custo de utilização à hora face ao seu grande potencial, e principalmente a um preço em que não existe competição para um helicóptero com as mesmas capacidades. 

Texto e seleção de imagens: Bryan Ferreira

Edição: Pássaro de Ferro

sábado, 3 de setembro de 2022

O AIRSHOW do Festival das Dunas de S. Jacinto [M2335 - 50RF2022]

 


Voltar a S. Jacinto é para mim, como voltar a casa depois de uma longa viagem. 
Foi esta a minha “casa” durante os mais de dois anos que aqui servi na Força Aérea Portuguesa, anos que guardo na memória com saudade e em que, não estando eu ligado directamente à actividade aérea em si, a minha Especialidade era Informática (OPINF), foi contudo um período que vivi muito próximo da actividade aérea do Aeródromo de Manobra nº2 (AM2).

Nos idos de 1988-1990 a actividade do aeródromo consistia nas operações aéreas da Esquadra 702 “Os Indomáveis do Norte” com os seus “puxa-empurra” (FTB-337G), e ainda o destacamento de busca e salvamento (SAR) da Esquadra 552 “Zangões” com um SE.3160 Alouette III. Nessa unidade decorria mais actividade aérea, desde logo a que se prendia com o treino das unidades e subunidades do Corpo de Tropas Páraquedistas, consubstanciados nas companhias operacionais da Base Operacional de Tropas Páraquedistas nº2 (BOTP2), e do Grupo Operacional de Apoio e Serviços (GOAS), sendo por isso comum de ver por ali os C-130 e C-212, Alouette III e Puma.

Sempre que podia, “desenfiava-me” para ficar ao pé dos aviões(!!), tantas vezes na linha da frente ou na torre, onde vi por ali passar algumas passarolas interessantes. Foi também aqui que voei pela primeira vez, em Puxa-Empurra… adiante.

É ainda S. Jacinto um local de memória e um local histórico da aviação militar remontando a 1917 a sua primeira utilização pela Aviação Naval Francesa, que aqui começou a caçar submarinos alemães durante a Grande Guerra, com um destacamento que durou até ao ano seguinte, tendo depois as instalações passado para a Marinha Portuguesa (1919) e depois para a Força Aérea Portuguesa (1952).

Desde essa altura, nomeadamente a partir de 1921, que se encontra aqui um dos hangares mais antigos ainda em existência em Portugal, hangar que aqui foi remontado após ser desactivado o Centro de Aviação Naval de Ponta Delgada, onde tinha sido instalado pelo destacamento da Marinha Norte-America entre 1917 e 1918, e que aqui, serviu a Marinha, Força Aérea, e actualmente o Exército. Este é um dos hangares, entre muitas outras estruturas militares que deveria estar classificado como monumento de interesse histórico militar…   De todo o modo, esse e todos os demais edifícios do meu tempo ainda por ali se encontram, uma boa parte deles históricos.

Para além da nostalgia e história associada a S. Jacinto, o que me trouxe aqui foram mesmo os aviões, os aviões que integraram o festival aéreo organizado no âmbito do Festival Dunas de S. Jacinto, actividade que contou esta ano com dois momentos aeronáuticos: um festival aéreo e um “fly-in”.

Porque a vida é feita de opções, desloquei-me a S. Jacinto para o festival aéreo que decorreu, como já tem acontecido, frente à avenida marginal, sendo o público bafejado pela sorte, no que concerne às condições meteorológicas, pelo menos dentro da “caixa” onde decorreu a exibição, tendo reinado por lá o sol que nos ajudou a apreciar melhor as fantásticas exibições do Pitts S-2B da Aerobática,  o Camana e o Varieze da Patrulha Fantasma, o “Puxa-Empurra” da Patrulha Quijote, os Yak-52 da patrulha Yakstars, e os T-6 e Chipmunk do Museu Aero Fénix.

Toda a sequência de eventos e a sua coordenação foram espectaculares, e o airshow muito bem estruturado e ajustado ao local.

Seguem-se algumas fotos que o ilustram.

À chegada, antes ainda do festival aéreo, o T-6 do Museu Aero Fénix 
ainda deu um ar da sua graça, com o seu característico ronco forte e o 
seu trote lento – um dos “regressos a casa” deste dia.



 Visto cá de baixo, em manobras acrobáticas que nos deixam 
sempre sem fôlego, o Cmdt Luís Garção aos comandos do 
Pitts S-2B da Aerobática, marcou a abertura do evento.





A Patrulha Fantasma, assim se intitula esta parelha de Viseu, 
executando diversas passagens, cruzamentos e rupturas, sendo 
constituída actualmente  pelo Cmdt Carlos Costa voando um 
Camana NA-4(CS-UHM) e o Cmdt José Figueiredo voando 
um Rutan Vari-Eze (CS-XAV). 


A Patrulha Fantasma em executou ainda algumas passagens em 
formação com o Pitts S-2B da Aerobática.




Belíssima exibição deste Reims-Cessna FTB-337G da Patrulha Quijote, 
da Fundación Antonio Quintana, pilotado pelo Cmdt José Olias.  Foi 
fantástico ver de novo um FTB em S. Jacinto, esta que foi, também aqui 
base de uma das duas unidades aéreas da Força Aérea Portuguesa: a 
Esquadra 702.  Este aparelho que se encontra restaurado representando
 um dos O-2A da USAF, utilizado no Vietnam, foi de facto o aparelho 
da FAP com o número de cauda 3723.







Os Yakstars, sendo eles o Cmdt. Pedro Cerqueira Pinto (Leader), 
Cmdt. Fernando Marinho Pereira (Left Wing) e Cmdt. Tiago Correia (Right Wing)





Dois dos “regressados a casa”, já que S. Jacinto foi escola de centenas 
de pilotos que aprenderam a arte em Chipmunk e T-6, aqui dois dos aparelhos 
do Museu Aero Fénix, o Canadian Car and Foundry Harvard IV reg. F-AZCM, 
pilotado pelo Cmdt Munkelt Gonçalves, e o DHC-1 Chipmunk reg. D-EEJC 
(exFAP 1324), pilotado pelo Cmdt José Costa.


Já com o festival aéreo terminado, ainda houve tempo para umas 
passagens dos Yakstars, à saída, de regresso a Ponte de Sor.


Como referi não tive oportunidade de assistir ao “fly-in” que decorreu muito bem com a participação de muitos particulares e aeroclubes, num belíssimo convívio sob os auspícios do Regimento de Infantaria nº10, actual ocupante desta base.

Algumas fotos do “fly-in”:





Voltar aqui, há sempre que voltar ao “Gato Preto” e ao “Terminal”, onde estive, locais para muitas outras histórias e estórias para contar … mas não aqui … 😉


Notas do Autor – O meu agradecimento ao Luís Garção e ao José Rocha pela ajuda.
                              O autor do texto/reportagem escreve na grafia antiga.



Texto: Rui “A-7” Ferreira
Entusiasta de aviação

Fotografia:  – Rui Ferreira e Edgar Almeida


sexta-feira, 2 de setembro de 2022

PRIMEIRO KC-390 DA FAP EM TESTES DE VOO [M2334 - 49/2022]

Embraer KC-390 Millennium destinado à Força Aérea Portuguesa em testes de voo   Foto: Embraer

A Embraer deu conta em comunicado de imprensa, da progressão do primeiro avião KC-390 Millennium destinado à Força Aérea Portuguesa.

Segundo o fabricante, as atividades, realizadas na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior do Estado de São Paulo, concentram-se nos ensaios em voo com o objetivo de atender aos requisitos específicos do Estado Português e que estão em certificação pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI).

A primeira aeronave portuguesa (matrícula provisória PT-ZDK e futuro 26901 na FAP) entra assim na fase final antes da ida para a Portugal, onde serão integrados os equipamentos padrão NATO, a serem certificados pela Autoridade Aeronáutica Nacional (AAN), de Portugal e com o envolvimento da OGMA, subsidiária da Embraer em Portugal. Todas as atividades estão a ser acompanhadas pela Missão de Acompanhamento e Fiscalização do Programa KC-390 da FAP. 

VÍDEO

O Estado Português assinou contrato em 2019 para a aquisição de cinco aeronaves KC-390 Millennium e um simulador. A primeira tripulação portuguesa concluiu com sucesso o curso de qualificação em novembro de 2021.

A aeronave cumpre todos os requisitos da FAP, sendo capaz de realizar diversas missões civis, incluindo apoio humanitário, evacuação médica, busca e salvamento e combate a incêndios florestais, acrescentando capacidades superiores de transporte e lançamento de carga e tropas, e reabastecimento em voo.

Foto: Embraer

Portugal é o maior parceiro internacional do Programa KC-390 e a sua participação no desenvolvimento e na produção da aeronave é reconhecida como tendo tido um impacto económico positivo na criação de empregos, novos investimentos, aumento de exportações e avanços tecnológicos.

Aterragem em Gavião Peixoto, Brasil     Foto: Embraer

O C-390 Millennium e a sua configuração de reabastecimento aéreo, o KC-390, são a nova geração de aeronaves multimissão de transporte militar, que oferecem mobilidade e capacidade de carga aumentadas, rápida reconfiguração, alta disponibilidade, conforto aprimorado e segurança de voo, bem como gestão optimizada de custos operacionais, ao longo de seu ciclo de vida.

As primeiras entregas para a FAP estão programadas começarem em 2023, ao ritmo de uma por ano até 2027.

Além do Brasil e Portugal, também a Hungria e os Países Baixos têm encomendas do C-390 Millennium.



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