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domingo, 6 de outubro de 2024

UE E DE HAVILLAND CANADA FECHAM ACORDO DOS NOVOS CANADAIR [M2557– 81/2024]

Ilustração: DHC

A De Havilland Canada anunciou  a conclusão das negociações contratuais com os líderes da Comissão Europeia, do Governo do Canadá e de Estados-Membros da UE, para a produção de 22 novos aviões bombardeiros de combate a incêndios anfíbios.

Na sexta-feira 4 de outubro em Bruxelas, a De Havilland Canada apresentou simbolicamente ao Comissário da União Europeia, Janez Lenarčič, uma miniatura da aeronave nas cores do programa RescEU, bem como aos representantes dos Estados-Membros da UE, reunidos para assinalar a ocasião e assinalar o encerramento do processo de negociação do contrato.

Apresentação da De Havilland Canada em Bruxelas     Foto: DHC

Como parte do evento, a De Havilland Canada anunciou também que o nome do DHC-515 será alterado para refletir a história e o sentimento incontornável em relação nome “Canadair” na Europa.

“Quando as pessoas estão perto de um incêndio florestal na Europa, perguntam quando é que os Canadairs vêm ajudar a proteger a sua comunidade”, disse o CEO da De Havilland Canadá, Brian Chafe. “Hoje, estamos a reconhecer o historial de serviço da frota Canadair ao renomear a aeronave como ‘De Havilland Canadair 515’.”

Na verdade, o programa Canadair, passou de mãos por várias vezes nas últimas décadas, primeiro com a aquisição pela Bombardier, depois pela Viking Air, até ser finalmente incorporado na De Havilland Canada, que optou agora por valorizar, desta forma, a designação inicial e mais popular "Canadair".

A De Havilland Canada lançou ainda um vídeo que descreve o estado atual de produção da aeronave, bem como uma imagem do novo modelo nas cores do Programa RescEU da União Europeia.

“Para a nossa empresa, hoje é um grande dia, pois marca o fim da discussão e o início da produção a alta velocidade”, disse Chafe. “Mas o verdadeiro trabalho está apenas a começar. Os países europeus depositaram a sua confiança na De Havilland Canada e cabe-nos a todos entregar-lhes as aeronaves a tempo.”

Dos Canadair 515 objeto do presente contrato, dois serão fornecidos à Força Aérea Portuguesa, que os irá receber durante o biénio 2029/30, através de acordo assinado a 18 de julho pretérito, que incluirá formação, infraestruturação e equipamentos, no âmbito do programa de edificação da capacitação própria do Estado Português, no combate aos incêndios florestais. A UE comparticipará a aquisição das duas aeronaves portuguesas com 100M EUR, sendo os restantes 11,8M EUR provenientes de verbas do orçamento próprio da Força Aérea.




domingo, 31 de dezembro de 2023

Centro Multinacional de Formação de Helicópteros com Capacidade Operacional Inicial em Sintra [M2455 – 87/2023]


Demonstração de helicópteros da FAP na cerimónia de transferência do MHTC para Sintra   Fotos: FAP/MDN

No dia 1 de janeiro de 2024 o Centro Multinacional de Formação de Helicópteros (MHTC), sediado na Base Aérea n.º 1 em Sintra, atingirá a Capacidade Operacional Inicial. A Capacidade Operacional Plena deverá ser alcançada em 2026. 

MHTC na BA1 em Sintra     Foto via MDN

O centro MHTC visa o desenvolvimento de capacidades militares de aeronaves de asa rotativa, reunindo diversas valências num centro multidisciplinar, incluindo simuladores de voo, para formação prática e doutrinária, e formação de instrutores. Ficará instalado em Portugal por um período mínimo de 15 anos. É um projeto da EDA do qual Portugal é agora o país anfitrião, disponibilizando as instalações e acolhendo os participantes dos 14 estados-membro.

Os programas de treino para helicópteros da EDA

Os helicópteros são um dos principais facilitadores das operações militares atuais, fornecendo capacidades de transporte e combate em todos os tipos de terreno.

Sem equivalente na NATO, os programas de helicópteros da EDA incluíram diversas actividades de formação, incluindo cursos de táctica, guerra electrónica e planeamento de Operações Aéreas Compostas - COMAO, exercícios multinacionais e um simpósio anual sobre tácticas de helicópteros.

Estas atividades visam melhorar a interoperabilidade entre as frotas de helicópteros europeus e promover formação para as tripulações e pessoal de terra em tácticas da guerra em operações modernas. Envolvem regularmente a participação de pessoal e meios das Força Aéreas, do Exército e da Marinha, incluindo helicópteros, jatos rápidos, aeronaves de transporte, equipamento de defesa aérea e tropas terrestres. 

Visitas ao MHTC em Sintra     Foto via MDN

“Os programas de helicópteros da EDA são um excelente exemplo da cooperação europeia em matéria de defesa”, disse o Chefe do Executivo da EDA, Jiří Šedivý, durante a cerimónia de transferência realizada em 28 de novembro de 2023, que contou com a presença da Ministra da Defesa de Portugal, Helena Carreiras, bem como de autoridades militares e civis de Portugal e dos países pertencentes aos programas de helicópteros da EDA e do MHTC. “A cooperação reforçada é uma necessidade se quisermos aumentar a prontidão, fortalecer a resiliência e modernizar as nossas Forças Armadas”, acrescentou. 

A Ministra da Defesa, Helena Carreiras por sua vez afirmou que: “O nosso compromisso conjunto para melhorar os projectos de defesa europeus, como o Centro Multinacional de Formação de Helicópteros, reflecte uma abordagem virada para o futuro, enfatizando a interoperabilidade e a preparação da cooperação”, acrescentando ainda "Somos capazes de responder em conjunto de forma mais eficaz aos desafios de segurança colectiva e, portanto, contribuir para um cenário europeu mais seguro e estável."

Após a cerimónia, os helicópteros realizaram uma demonstração de recuperação de pessoal envolvendo um AW-119 Koala e um EH-101 Merlin.

A EDA lançou as suas actividades de formação em helicópteros em 2008. Ajudou a colmatar uma lacuna de capacidades evidenciada pelas deficiências identificadas durante as missões europeias no Afeganistão e nos Balcãs, quando o pessoal militar não tinha conhecimentos em tácticas de helicóptero, e porque alguns Estados-Membros necessitavam de formação adicional à medida que mudavam de helicópteros da era soviética para modelos ocidentais mais recentes.  

São fundadores do MHTC: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslovénia, Finlândia, Grécia, Hungria, Itália, Portugal, Países Baixos, República Checa, Sérvia e Suécia.

Programas de treino de helicóptero da EDA em números

Entre 2009 e 2023, os exercícios da EDA mobilizaram mais de 340 helicópteros, 2.325 tripulantes e mais de 15.000 militares. Um total de 1.050 tripulantes de 20 países diferentes graduaram-se no Curso de Tática de Helicóptero da EDA ao longo das suas 81 edições. Além disso, 163 tripulantes de helicópteros de 10 países diferentes graduaram-se no Curso de Instrutores de Táticas de Helicóptero ao longo de suas nove edições

O 14º e último Simpósio de Táticas de Helicópteros da EDA ocorreu no início de novembro, quando cerca de 70 especialistas de 15 países europeus, incluindo a Ucrânia, bem como representantes da NATO, se reuniram para esse evento.

No total, instrutores militares e elementos da indústria aeronáutica ministraram mais de 20 cursos de planeamento de Guerra Eletrónica e Operações Aéreas Compostas. Além disso, a EDA criou os seus próprios Procedimentos Operacionais Padrão para helicópteros, que são a base para todo o treino e ajudam a promover a standardização e a melhorar os níveis de interoperabilidade.


Infografia: EDA

Todas estas atividades foram ministradas em toda a Europa, embora o treino em terra e em simulador tenha sido realizado exclusivamente no centro de treino de helicópteros da EDA, anteriormente localizado no Reino Unido, e desde 2020 em Portugal.

Além disso, durante a última década e meia, a EDA forneceu uma filosofia de treino de helicópteros e actividades que proporcionaram resultados valiosos, tangíveis e imediatos aos Estados-Membros, e que apoiaram a melhoria da capacidade dos helicópteros europeus e da interoperabilidade de tripulações de helicópteros.

A EDA como catalisadora

Mesmo com o sucesso da EDA na formação de helicópteros, o Chefe do Executivo, Šedivý, sublinhou o papel mais amplo da Agência no estabelecimento da cooperação em defesa na União Europeia. A principal tarefa da EDA não é ser um instituto de formação, mas sim um catalisador de actividades cooperativas, disse. 

“Estamos aqui para lançar iniciativas que possam proporcionar um valor acrescentado aos Estados-Membros. Quando atingem um nível de maturidade suficiente, transferimo-los para Estados-Membros ou organizações multinacionais dispostos e capazes, permitindo que a AED liberte recursos e se concentre no desenvolvimento de novas iniciativas», acrescentou Šedivý. 

A Agência Europeia de Defesa (European Defense Agency - EDA) entregou por isso agora os seus programas de formação de helicópteros de longa duração, a um centro dedicado em Portugal, marcando o fim de um dos empreendimentos de maior sucesso da Agência, nos seus 19 anos de história. 

Fonte: EDA e Ministério da Defesa
Adaptação: Pássaro de Ferro


quinta-feira, 8 de setembro de 2022

P-3 DA FAP DESTACADO EM ITÁLIA [M2338 - 53/2022]

O P-3C CUP+ da Esq, 601 n/c 14809 agora destacado em Sigonella         Imagem de arquivo

Um destacamento de 36 militares da Força Aérea Portuguesa e uma aeronave P-3C CUP+ da Esquadra 601 (Lobos), partiram  no dia 6 de setembro, para Sigonella em Itália, para integrar as Operações “IRINI” e “SEA GUARDIAN 2022”. A informação foi avançada pelo Estado Maior General das Forças Armadas na tarde de hoje.

Contingente da Esq. 601 à partida para o destacamento  Foto: EMGFA

A Operação “IRINI”, no âmbito da União Europeia (UE), no Mar Mediterrâneo, tem por finalidade a aplicação do embargo ao armamento imposto pela ONU, em áreas específicas da costa Norte da África Central, e contribuir para a disrupção das redes de imigração ilegal. A Operação “SEA GUARDIAN” tem por finalidade promover a segurança marítima no Mar Mediterrâneo, de forma a garantir a liberdade de navegação e o conhecimento situacional da área, com foco nas atividades de tráfico de estupefacientes, armas e pessoas, vigilância do tráfego marítimo e poluição marinha.

A missão tem uma duração prevista de três meses.

Os "Lobos" têm contribuído regularmente em missões de patrulhamento do Mediterrâneo na última década, tanto em missões da NATO como da União Europeia.



quinta-feira, 24 de março de 2022

SANÇÕES À RÚSSIA COMPLICAM KAMOV PORTUGUESES [M2307 - 24/2022]

Kamov Ka-32A11BC

A Agência para a Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) emitiu um aviso no dia 14 de Março de 2022, relativo às medidas restritivas tomadas pela União Europeia relativas ao ataque da Rússia à Ucrânia.

No ponto 1 pode ler-se:

1) CERTIFICADOS DE PROJETO, CERTIFICADOS PARA ORGANIZAÇÕES E DISPOSITIVOS DE TREINO DE SIMULAÇÃO DE VOO

Nos termos do artigo 3.º-C, n.º 4, alínea a), do Regulamento (UE) n.º 833/2014, conforme alterado, é proibida a prestação de assistência técnica ou outros serviços relacionados com os bens e tecnologias adequados à utilização na aviação ou na indústria espacial, 1  , originários ou não da União, e ao fornecimento, fabrico, manutenção e utilização desses bens e tecnologia, direta ou indiretamente, a qualquer pessoa singular ou coletiva, entidade ou organismo na Rússia ou para utilização na Rússia.

Assim, a EASA tomou a decisão de suspender todos os certificados que emitiu, incluindo certificados para produtos, peças e aparelhos, bem como os certificados para organizações e dispositivos de treino de simulação de voo, onde o titular do certificado está localizado ou residente na Rússia, ou de outra forma sujeito às sanções.

O documento completo inclui ainda uma lista com os Certificados de Tipo (Type Certificates) das aeronaves abrangidas pelas sanções, que descrimina entre outras, os Kamov Ka-32A11BC.

Esta decisão afectará um total de 26 aeronaves deste modelo em uso por países da UE, entre os quais as seis células ex-Proteção Civil portuguesa, transferidas recentemente para  Força Aérea Portuguesa, com vista à  reposição das suas condições de aeronavegabilidade, para a sua utilização pelas Forças Armadas.

Estando a frota portuguesa imobilizada desde 2018, devido a sucessivos problemas de manutenção e disputas entre o Estado Português e anteriores adjudicatários, e quando parecia estar finalmente a situação encaminhada para retornarem a condições de operação, eis que os efeitos do embargo da UE a equipamentos russos, vem novamente complicar o processo.



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