segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

BOMBA "PESCADA" NA NAZARÉ DESACTIVADA PELA MARINHA (M1874 - 11/2017)

O engenho apanhado nas redes do pesqueiro "Mal Salgado"        Foto:Marinha Portuguesa


Uma embarcação pesqueira da Nazaré trouxe esta segunda-feira uma surpresa nas redes. Uma bomba militar.
Apesar de se estar a atravessar o período carnavalesco, a bomba não era a brincar, motivo pelo qual o porto da Nazaré foi isolado num raio de 300m.

O engenho encontrava-se em "elevado estado de corrosão", razão para cuidados redobrados, de modo a não despoletar inadvertidamente a sua carga explosiva.
Segundo o capitão do porto da Nazaré, Lourenço Gorricho, tratar-se-ia de "uma bomba semelhante às usadas pela aviação", tipo Mk.82, contendo 202 Kg de explosivo H6, equivalente a 600 Kg de TNT.


Bombas Mk.82 Snakeye de queda retardada com sistema aberto accionado na queda (esq.) e fechado (dir)


Observando o engenho com atenção, parece de facto tratar-se de uma Snakeye Mk.82, devido à forma da parte posterior, onde engataria o sistema de retardamento de queda. Não deverá trata-se de uma bomba da II Guerra Mundial, como chegou  a ser ventilado.
Estas bombas servem principalmente para bombardeamento a baixa altitude e foram extensivamente utilizadas principalmente pelos A-7P em Portugal, nesse tipo de missão.  Embora conste ainda do arsenal do F-16, caiu algo em desuso devido à preferência por munições e tácticas alternativas para o mesmo tipo de objectivos marítimos.
A sua procedência e idade não são certas contudo, devido à ausência de qualquer marcação que a identificasse positivamente, embora o estado de corrosão sugira poder ser de facto da época do A-7P Corsair II, ou até do Fiat G.91, que igualmente utilizou o mesmo tipo de bomba.
Outra possibilidade ainda, a não colocar de lado, é o P-3, que possui na sua panóplia quer as Snakeye Mk.82, quer a mina Mk.36, que não é mais do que uma Mk.82 modificada.


Mergulhadores da Marinha Portuguesa nos trabalhos preparatórios da detonação controlada     Foto:Marinha Portuguesa


Segundo informação da Marinha Portuguesa, após a comunicação da embarcação de pesca "Mar Salgado", esta manhã com as autoridades, informando que tinha a bordo um engenho explosivo, foi imediatamente activada, pela autoridade marítima local, a Polícia Marítima que se dirigiu para a área e estabeleceu o perímetro de segurança no porto.

A equipa de mergulhadores da Marinha analisou primeiro à distância, as imagens recolhidas do engenho, de 1,50 a 1,60 mts de comprimento, que pela tipologia aparentava ser uma Mk.82, suspeitando-se por isso do referido poder explosivo equivalente a 600 Kg de TNT.

Entretanto chegada ao local, a equipa de mergulhadores reavaliou a situação e elaborou o plano de acção, que passaria por sair para fora do porto da Nazaré - para uma área com um perímetro de segurança de mil metros, garantidos pela Polícia Marítima, estando também o Instituto de Socorros a Náufragos no local - afundar o engenho explosivo a 20 metros de profundidade e depois proceder à contra-detonação, garantido desta forma a segurança para pessoas e embarcações. De realçar a colaboração do Mestre do arrastão que devido ao peso da bomba prestou-se em transportar para o local onde foi afundada e contra-detonada pelos mergulhadores da Marinha.


 A equipa de mergulhadores destacados para a Nazaré, pertencem ao Destacamento de Mergulhadores Sapadores (DMS) Nº1 cujas áreas de actuação são essencialmente:
•Reconhecer e inactivar engenhos explosivos convencionais ou improvisados, na área de responsabilidade da Marinha e em áreas de conflito;
•Realizar acções de vistoria a cais de desembarque e obras-vivas de navios;
•Realizar o reconhecimento táctico de costa;
•Efectuar limpeza de obstáculos ou engenhos explosivos em canais de acesso, praias e locais de desembarque;
•Realizar acções ofensivas e defensivas de sabotagem submarina;
•Colaborar com as entidades responsáveis na repressão de actividades ilícitas;
•Apoiar os serviços de Protecção Civil em situações de catástrofe, calamidade ou acidente;
•Participar em exercícios nacionais e internacionais.



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

KC-390 JÁ FORNECE COMBUSTÍVEL EM VOO (M1873 - 10/2017)

Primeiro "contacto seco" com um KC-390                       Foto: FAB/Embraer


Na verdade não, mas é como se já fornecesse. Apesar de realmente ter efectuado com sucesso o primeiro procedimento para fornecer combustível, no caso a um F-5 da Força Aérea Brasileira, realmente o que aconteceu foi um "contacto seco". Isto é: foi realizado todo o processo, mas não houve transferência real de combustível entre as duas aeronaves.

O KC-390 e o F-5 da FAB no primeiro contacto de reabastecimento aéreo                  Foto: FAB/Embraer

Segundo anunciou o fabricante Embraer, durante a Feira de Aviação da Índia (IDEX), um F-5 efectuou com sucesso contacto com os dois receptáculos a serem testados num dos protótipos KC-390, a partir da Base Aérea de Santa Cruz, Rio de Janeiro, a 19 de Fevereiro de 2017. A operação veio na sequência do teste de proximidade com dois F-5, realizado no final de 2016.

Frederico Lemos, director de negócios internacional da Embraer, disse na ocasião que a aeronave já comprovou todo o envelope (limites de operação) das operações de reabastecimento, incluindo as baixas velocidades necessárias para o reabastecimento de helicópteros.



Testes de outras capacidades especializadas seguir-se-ão em 2018, com operações em pistas em condições austeras, como gelo e neve. Apesar de à primeira vista parecerem pouco importantes para um país tropical, estes aspectos têm especial relevância para o Brasil, para que o modelo possa auxiliar os programas de pesquisa brasileiros na Antártida. Presentemente são os C-130 da FAB que efectuam a ligação com a base brasileira no continente gelado, tendo ocorrido há cerca de dois anos um acidente na aterragem nessas mesmas condições, tal como o Pássaro de ferro na época noticiou.
Ainda em 2017, testes de congelamento artificiais serão realizados em Eglin na Florida, EUA, enquanto testes com ventos cruzados serão levados a cabo, no sul do Chile.

Os dois protótipos do KC-390 completaram um total de 850 horas de voo, estabelecendo os limites de operação em Mach 0,8  (cerca de 900km/h) aos 36.000 pés (10.800 m) de altitude.

A primeira célula de produção em série foi já igualmente iniciada na linha de produção de Gavião Peixoto, com uma segunda a seguir-se brevemente. Ambas serão entregues à FAB em 2018.

A FAB pretende atingir a Capacidade Operacional Inicial (IOC) e certificação ainda em 2017 (com um dos protótipos), com a Capacidade Operacional Total (FOC) para 2018.

A Embraer encontra-se empenhada na promoção do KC-390, à escala global, com a participação em inúmeras Feiras e Exibições aeronáuticas por todo o mundo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

GRÉCIA: F-35 E MODERNIZAÇÃO DE F-16 (M1872 - 09/2017)

Lockheed Martin F-35A Lightning II


O Ministério da Defesa grego revelou na passada terça-feira pretender modernizar a frota de F-16 em uso na Força Aérea Helénica, para o padrão V, equivalente ao Bloco 60/62.
De igual modo, irá informar o Governo dos EUA da intenção de aquisição de pelo menos uma Esquadra de caças F-35 de 5ª Geração. No mesmo comunicado, consta ainda o pedido de orçamento para a manutenção do sistema de mísseis anti-aéreos S300 de fabrico russo, em uso no país.

A decisão do Ministro da Defesa Panos Kammenos, foi tomada no seguimento de recomendações das chefias militares. O facto da Turquia, país com o qual a Grécia mantém relações tensas e disputas territoriais, fazer parte integrante do Programa F-35 vem criando preocupações nas fileiras helénicas. A intenção por detrás das medidas agora anunciadas, será por isso manter o equilíbrio de poderio militar na região.

A frota grega de F-16 foi composta por vários lotes constituídos por variantes do Bloco 30, 50, 52 e 52+

A primeira medida preconizada, de modernizar a extensa frota de F-16 do país (cerca de 160 células) para o modelo V, pretende torná-los compatíveis com o avançado sistema de comunicações e dados do F-35 e simultaneamente prolongar-lhes a vida operacional. Os custos da operação estão estimados entre 1700M e 2000M USD, ao longo de 7 anos de duração dos trabalhos de modernização.

Já relativamente ao F-35, a intenção inicial será a aquisição de "uma Esquadra, o que significa entre 12 a 20 aviões". A Carta de Intenções, questiona ainda acerca da possibilidade da integração da Grécia no Programa F-35. O preço actual do F-35A é de cerca de 95M USD, esperando-se que este valor venha a cair para perto dos 80M USD à medida que a produção se massificar.

O acordo para manutenção e melhoramento dos sistema de mísseis terra-ar S300 não ficou claro, pensando-se que a intenção será dotá-lo de maior precisão de radar, semelhante ao sistema mais recente S400 também de fabrico russo.




quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

BOMBARDEIROS RUSSOS À VISTA (outra vez) (M1871 - 08/2017)


Mirage 2000-5F da Esquadrilha das Cegonhas e os "Blackjack" russos

O Armée de L'Air (ForçAérea Francesa), divulgou já imagens de dois bombardeiros russos Tupolev Tu-160, interceptados esta tarde no Golfo da Biscaia.

Antes ainda foram seguidos pelas parelhas de alerta da Royal Air Force em Lossiemouth e Coningsby (Typhoon FGR4), quando contornavam o norte da Escócia e costa ocidental da Irlanda. 



Imagens da intercepção pela RAF


Os bombardeiros estratégicos supersónicos da Força Aérea Russa, conhecidos no Ocidente como "Blackjack", inverteram a rota já no Golfo de Biscaia, acompanhados por uma parelha de alerta francesa, constituída por dois Mirage 2000 da famosa "Esquadrilha das Cegonhas". 

Um avião tanque KC-135 francês esteve também afecto à operação de intercepção e acompanhamento, de modo a prestar apoio aos dois caças, na eventualidade dos bombardeiros se demorarem tempo superior à autonomia dos Mirage. O mesmo havia já sucedido no Reino Unido, no caso um A330 Voyager da RAF, que descolou de Brize Norton para apoio aos Typhoon.






Ao contrario do ultimo episódio semelhante, desta vez não chegaram ao espaço de jurisdição portuguesa. À hora que escrevemos esta noticia (16h30min), estão descritos como regressando ao Norte.

Os dois bombardeiros possuíam número de cauda RF-94100 e RF-94108 e mantiveram-se sempre em espaço aéreo internacional.


Grafismo: Daily Mail






terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

QUATRO DÉCADAS DE ESQUADRA 347 - GRÉCIA (M1870 - 07/2017)



A Esquadra 347 - Perseu, da Força Aérea Helénica celebrou no passado dia 3 de Fevereiro de 2017, o seu 40º aniversário. Na cerimónia realizada para marcar o evento na base aérea de Nea Agchialou onde se encontra sedeada, estiveram presentes altas individualidades das Forças Armadas gregas e elementos integrantes da Esquadra, do passado e do presente.

Apresentação da pintura comemorativa no F-16C da Esq.347

Individualidades da FA Hellenica com um TA-7 anteriormente operado pela Esq. 347 em fundo

A comemoração incluiu ainda uma exibição estática de aeronaves e uma exposição fotográfica, tendo o ponto mais alto na apresentação de uma pintura comemorativa, na cauda e num dos depósitos de combustível externo, de um dos F-16 operados pela Esquadra 347.



Vídeo dos trabalhos de pintura do depósito externo:

347 SQN 40 years External Tank Painting from Hellenic Air Force on Vimeo.


A pintura congrega elementos gráficos relativos a Perseu, personagem da mitologia grega e símbolo da Esquadra.

A Esquadra 347 foi a primeira a receber o F-16C Bloco 50 na Força Aérea Helénica em 1997, tendo anteriormente operado o A-7H Corsair II a partir das bases aéreas de Souda e Larissa até 1992, quando foi temporariamente desactivada.

Vídeo com imagens históricas da Esquadra 347:


Fotos da exposição fotográfica:



Fotos: Esquadra 347


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

SU-33 MAGNÍFICOS? (M1869 - 06/2017)

Comparativo da pintura da cauda do último A-7P a voar em 1999 e do Su-33 russo em 2017
O Ministério da Defesa russo revelou este fim-de-semana, imagens do regresso à base terrestre em Murmansk, das aeronaves destacadas naquele que foi a primeira missão de combate do porta-aviões Admiral Kuznestov.

Sukhois, Kamovs, MiGs a aterrar numa base gelada, cerimónias de ocasião e reencontro de familiares. Até aqui nada de estranho.

Sukhoi Su-33 "Flanker D"

MiG-29KR

Kamov Ka-27






Mas espera, parece que conheço aquela "cara" pintada no estabilizador vertical do Su-33 de algum lado! Afinal a Esquadra 304 da Força Aérea Portuguesa que voou o A-7P até 1999, ainda voa... na Marinha Russa. Pelo menos o símbolo, vá.


Aquele tigre...


E diga-se em abono da verdade, quiçá com mais propriedade, dado que os maiores tigres do mundo habitam precisamente... a Sibéria.

Mas qualquer semelhança com o tigre pintado na cauda do A-7P 15521 da Força Aérea Portuguesa, não é seguramente uma coincidência!


Fotos: Min. Def.  Rússia excepto A-7Ps por Paulo Mata



sábado, 4 de fevereiro de 2017

F-35 MAIS BARATO (M1868 - 05/2017)

Lockheed Martin F-35 Lightning II


A Casa Branca emitiu um comunicado ontem, 3 de Fevereiro de 2017, a anunciar o acordo entre o Departamento de Defesa e a Lockheed Martin, relativamente aos custos do último lote de produção do polémico caça de 5ª Geração F-35.

O Lote de Produção Inicial nº10, coloca os custos do modelo A abaixo dos 100M USD, pela primeira vez. Os modelos B (STOVL) e C (Marinha), embora igualmente mais baratos, relativamente ao contrato anterior, estão ainda acima da marca dos 100M USD, conforme a lista apensa:

·        F-35A:  94.6M USD (7.3% redução do Lote 9)
·        F-35B: 122.8M USD (6.7% redução do Lote 9)
·        F-35C  121.8M USD (7.9% redução do Lote 9)

A redução de custo no modelo A é contudo a mais relevante, uma vez que este representa cerca de 85% do programa geral. Relativamente ao Lote 1, a redução de preço situa-se já em cerca de 60%.

O Lote 10, que contempla 90 células de F-35, significa igualmente um aumento no número de células fabricadas, na ordem dos 40% relativamente ao lote anterior, que consistiu em 57 caças.
A distribuição de células do Lote 10, pelos países integrantes do Programa será de acordo com a lista discriminada abaixo:

·        44 F-35A USAF
·        9 F-35B US Marines
·        2 F-35C U.S. Navy
·        3 F-35B Reino Unido
·        6 F-35A Noruega
·        8 F-35A Australia
·        2 F-35A Turquia
·        4 F-35A Japão
·        6 F-35A Israel
·        6 F-35A Coreia do Sul

O Lote 10 significa por isso uma redução de um total de 728M USD, relativamente aos preços do Lote 9.

De notar que a administração Trump tem sido particularmente crítica do Programa F-35, mesmo ainda antes da tomada de posse. A par com as reduções de custos que reclamava e agora conseguidas, terá já ordenado um estudo comparativo com o F-18E/F Super Hornet da Boeing, para aferir até que ponto este modelo ou uma evolução dele, poderá substituir  parcialmente o F-35 nas Forças Armadas americanas.







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