terça-feira, 30 de março de 2010

O F-4 PHANTOM II (M364-15AL/2010)



Se existe avião que marcou a história da aviação militar e ainda hoje é um dos meus "favoritos" esse avião é o McDonnel Douglas F-4 Phantom II.
É um dos aviões mais expressivos de todos os tempos. Possui demasiada história sob e sobre as suas asas para que tentemos discorrer sobre ele em meia dúzia de linhas.
Tive o prazer de o ver voar algumas vezes, sendo a primeira delas absolutamente "arrasadora", ocorrida no mítico NTM87 no Montijo, com um avião inglês, ainda com os brutalmente ruidosos motores "Rolls-Royce Spey" a arrancar numa descolagem que me deixou exangue!... 
Cheguei a construir um kit na escala 1/72, pintado com uma camuflagem wrap around, daqueles que despejaram toneladas de bombas no Vietname.

 Parelha F-4, fotografada em 1971 na Holanda

Uma das versões mais "aterradoras" do F-4 Phantom era a versão "Wild Weasel", que semeou o pânico nas instalações de radar dos "inimigas", numa das variantes deste caça-bombardeiro que ficou mais conhecida pelo seu poder e eficácia.
Foi também mais um dos ícones alados da Guerra Fria, fosse na versão Wilde Weasel, fosse como simples caça/interceptor/ bombardeiro, sempre pronto a equilibrar a "balança do terror" que, estranhamente, mantinha o mundo "seguro"...

 Versão "WW" do F-4

O F-4 foi um verdadeiro multi-role antes desse conceito ter semeado uma certa "destruição" na ideia de que cada avião tem a sua missão, substituindo-a pela actual, todas as missões tem (quase) o mesmo avião...
Uma coisa é certa no seu carácter consensual. Nenhuma história da aviação militar se poderá escrever sem o F-4 Phantom II. E para muitas forças aéreas que o voaram, que não só a Norte-Americana, o agora "velho" Phantom deixará saudades e, juntando-se a tantos outros ao longo de todos estes anos em que o sonho de voar se materializou, deixou o céu do mundo muito mais pobre.

 O F-4 voando com 3 diferentes gerações de congéneres, o F-22, o F-117 e o F-15, aviões cujas respectivas missões foram cumpridas pelo Phantom, nas suas diferentes versões e salvaguardadas as diferenças, nos seus tempos de glória...
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Nota: Ainda esta semana, reportagem do Paulo Mata para o Pássaro de Ferro, no Porta-aviões francês Charles de Gaulle!

sábado, 27 de março de 2010

O que andam os belgas a fazer? (M363-3JM/2010)



Toda a semana um C-130 rasgou o céu a baixa altitude. Nunca tinha visto um Hércules tantas vezes. Bem e ontem foram 4 de uma vez. Um vizinho meu perguntava o que anda a tropa a fazer? E lá lhe disse que eram os belgas e que andavam por aí num exercício. Ficou desconfiado, os belgas por cá?

quinta-feira, 25 de março de 2010

O HOMEM DO SABRE (M362-14AL/2010)

"O Falcão 15115" em voo picado!...

Está na hora do Pássaro de Ferro render reconhecimento ao magnífico trabalho efectuado no F-16A s/n 15115.
Este avião foi alvo da pintura comemorativa dos 50 anos da BA5 - Monte Real, celebrados no passado ano de 2009.
Para tal e em boa hora, foi criada, com mestria suprema, a possibilidade de fundir num só avião, tanta história de vários aviões, com destaque (merecido) para o "Sabre", a "velha máquina" que povoou sonhos de tantos pilotos não só em Portugal como em todo o mundo.
A Base Aérea de Monte Real sempre foi o "coração que bate mais forte" da aviação a jacto em Portugal.
F-86, G-91, T.33, T-38, A-7P e agora o F-16, tudo aviões que marcaram a história dos céus de forma indelével, voados por intrépidos homens, sempre prontos para tudo, seja na guerra, seja na paz.
Em 22 de Julho passado, o F-16A 15115 deu asas ao "Voo do Sabre", muito provavelmente o mais alto ponto das comemorações.
"O voo do sabre"

O autor da pintura, mistura história, com a arte e, manifestamente, com gosto pelos aviões. Uma fórmula tremendamente eficaz e que, para deleite dos aficionados pela causa do ar, tornou e torna ainda mais rico o espólio iconográfico e fotográfico de cada um.
O Miguel (que não tenho o grato prazer de conhecer em pessoa) é um artista que emprestou ao céu a sua mestria, prostrada na fuselagem de um avião que, na sua rapidez de voo, inscreve perenidade na história da Força Aérea Portuguesa.
Antes e depois deste seu trabalho de "superioridade aérea", continua a dedicar-se à arte aqui e também aqui. A merecer visita demorada.
Por mim, como "Comandante" do Pássaro de Ferro, resta-me dizer-lhe: Obrigado!

domingo, 21 de março de 2010

FESTA DO PILOTAÇO 2010 - COIMBRA (M361-9PM/2010)

Vista geral da placa de estacionamento frente à torre de controlo num intervalo entre aguaceiros
A chuva apesar de tudo não tirou a boa disposição
A "rapada"ao aeródromo do evento por um dos F-16 da parelha QRA (quick reaction alert)
A partida do TB-30 Epsilon 11405
Os preparativos para a partida
Uma última passagem do "70.000 Horas"
A aviação foi com certeza o tema de grande parte das conversas do dia
Um dos poucos voos da tarde
Um F-16 no aeródromo Bissaya Barreto em Coimbra: uma visão pouco comum!
A tradicional Festa do Pilotaço iniciou-se há já algumas décadas atrás entre os pilotos da Força Aérea e  mais tarde  foi-se naturalmente estendendo à aviação civil e desportiva num ambiente de camaradagem entre profissionais ou simples amantes do voo.
Por iniciativa do Aero Clube de Coimbra, reavivou-se a tradição, após alguns anos de interregno e a Festa do Pilotaço tinha lugar marcado para o Aeródromo Bissaya Berreto em Cernache - Coimbra a 20 de Março.

Devido às condições atmosféricas principalmente, o evento não foi no entanto o desejado pela Organização, com a ausência de muitos dos inscritos e o cancelamento da actuação da patrulha Smoke Wings nos seu conhecidos Yak-52, nos quais estava também previsto que alguns dos presentes pudessem tirar os pés do chão e sentir um pouco da adrenalina das piruetas no céu.

A Força Aérea fez contudo questão de marcar presença com um TB-30 Epsilon no local, dois F-16 (QRA - os live Sidewinder não enganam) que efectuaram duas fugazes passagens (ao que parece também devido ao mau tempo não se terão alongado mais) e a presença do famoso 15100 que como de costume fez as delícias de quem queria ter a sensação de sentar no cockpit de um avião de combate.

Em tudo o mais a actividade aérea foi extremamente reduzida, salvando-se o convívio das gentes do ar que não desmoralizaram mesmo preante o cenário montado pelo S.Pedro.

O dia não foi certamente o idealizado (ironicamente o Inverno levou a melhor no próprio dia de início da Primavera) mas para quem gosta de aviões e desfruta de qualquer oportunidade de estar perto deles, a Festa do Pilotaço, que costuma ser apenas para pilotos, acabou por ser desta vez um pouco menos restrita, podendo os curiosos e aficionados que se deslocaram ao local, contactar de perto com as aeronaves presentes na placa de estacionamento e misturar-se com os donos da festa.

A bandeira da República e a do Aero Clube de Coimbra em fundo

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NOTA: Já disponível no Pássaro de Ferro-Operations o anunciado "Dossier 15133"

quarta-feira, 17 de março de 2010

SA (M360-14AL/2010)


Recentemente, numa das inúmeras reuniões em que nós professores participamos, um termo usado amiúde nesta "terminologia" aeronáutica foi por mim aplicado, de modo mais ou menos involuntário (já faz parte específica de certa terminologia que uso intencionalmente), tendo deixado os meus colegas, digamos, mudos a olhar para mim...
Quando usei da palavra para falar sobre determinado aluno, cujo percurso escolar está cheio de sobressaltos e questões problemáticas, a sigla "SA" saltou-me da boca sem que a filtrasse, tendo em conta o algo desajustado ambiente que me rodeava.
Os colegas ficaram a olhar para mim, esperando que eu "desmontasse" e contextualizasse a sigla, de forma a eles perceberem que eu não tinha acabado de ter um qualquer desvario sem compreensão possível.
Desmontada a sigla "SA" - Situational Awarness e explicada a justeza do seu uso no contexto da matéria em análise, ficou a pairar sobre mim uma aura estranha e um "certo silêncio de facas" se instalou, por momentos, na reunião.
Fosse pela surpresa do termo em si, fosse pela percepção de que é possível que certas linguagens e/ou terminologias se interpenetrem, sem que se perca, lá está, a SA...

SA - Situational Awarness: Consciência Situacional, isto é, a percepção que o individuo tem do que o rodeia e o controle sobre as acções apropriadas e aplicáveis em determinado contexto. Definição muito usada pelos pilotos de combate, dada a especificidade das suas acções e que a exige permanentemente.
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Nota do Comando: No próximo fim de semana, o Pássaro de Ferro publicará o "Dossier 15133". A não perder!

sábado, 13 de março de 2010

... Voar como os pássaros (apontamento 1) - (M359-2RF/2010)

O silêncio costuma ser bom conselheiro, pelo menos para mim, mas também o é um belo dia de tempestade, ou uma ruidosa TF30 a rugir desde a cabeceira da pista na corrida de descolagem rumo ao azul.
Tinha eu começado a escrever umas coisinhas para colocar aqui neste Pássaro de Ferro feito de matéria que não se vê, quando as voltas da minha vida me trocaram as minhas próprias voltas e eu, que já não era assim muito assíduo destas andanças, deixei de escrever, ou como se diz neste novel linguajar, postar.
Depois voltei, voltei cheio de força, como quem acorda de manhã de um salto, e abraça mais um dia com o coração cheio de alegria por estar vivo.
Pelo que me fartei de escrevinhar em papeis vários e até no computador novo mas, as desculpas do costume tiveram como consequência um novo (ou o mesmo) silêncio, e a demora que se lhe seguiu.




(Foto por: A F Calé)

Não tenho grande experiência de voo, nem foi esse aliás o meu desejo confesso, o de voar. Desde que entendi que os capacetes de voo não vem com viseiras graduadas para a miopia, estigmatismo e bifocalidade, que tirei o cavalinho da chuva e nunca mais me preocupei em voar. Conformei-me, é o que é.
Ainda assim, algumas oportunidades me surgiram para levantar os pés do chão como os pássaros, e montado num Pássaro de Ferro, perdi a minha virgindade aeronáutica no dia 11 de janeiro de 1989 num dos lugares do meio, mesmo por detrás do piloto, do Reims-Cessna FTB-337G nº.3731, da Esquadra 702 "Os Indomáveis do Norte", pilotado pelo então Alferes Almeida. Para um primeiro voo não foi nada mau: S. Jacinto (então AM2) - Lisboa (AT1) e regresso pelo mesmo caminho, para levar uns "tupperwares" (computadores) a reparar à DSINFO (Direcção do Serviço de Informática), então localizada nos calabouços de Alfragide (EMFA).
Desse dia fica a memória, e também o registo fotográfico, para mais tarde recordar, em fotos brilhantes tiradas com uma arcaica Agfa de cassete compacta de filme (126 mm) e que vim aliás a redescobrir guardada num lugar recôndito lá de casa.
Desse dia também fica o sorriso nervoso que se tentava esconder, e as sensações novas da visão de águia, cá do alto de tantas e tantas paisagens já conhecidas, e dos movimentos na placa do Aeroporto de Lisboa, por entre os gigantones de linha aérea. Não sei se foi dessa vez, se talvez em alguma das seguintes que aterramos na pista 35 e entramos sempre a acelerar na placa do AT1.
Fica-se tão maravilhado com o primeiro voo que se me tivessem logo colocado a questão se queria voltar a voar a minha resposta tinha sido algo como: pode ser já?



quinta-feira, 11 de março de 2010

DOR DE ALMA (M358-8PM/2010)

Northrop T-38A Talon s/n 2601 pertencente ao Museu do Ar com a carlinga aberta expondo o interior do cockpit dia e noite aos elementos

Num dos últimos fins-de-semana calhou estar pelas imediações de Alverca e apesar do Museu do Ar já não estar aberto ao público, aquele meu instinto de olhar para o céu sempre que ouço o ruído de um avião,  também me leva magneticamente a estar perto deles.
Passei por isso pelo antigo Museu do Ar e qual não é o meu espanto quando para além das cores desbotadas (já esperadas) dos modelos expostos no pátio em frente ao hangar que albergava o Museu, me dou conta que a carlinga da frente do T-38 estava escancarada, expondo o interior do avião à inclemente intempérie que assolou o país nas últimas semanas.
Não faço ideia há quanto tempo estaria naquela situação, nem qual a razão para a mesma. Vandalismo? Descuido? Não faço ideia.
Sei que me doeu na alma ver um avião que foi por largos anos a única máquina supersónica da Força Aérea, na decadência apesar de teoricamente ter sido conservado para museu.

Já em Julho passado me tinha apercebido que o A-7 atribuído ao Museu do Ar em Sintra, sofria de mal idêntico, embora mais disfarçado, podendo ainda assim notar-se perfeitamente que a carlinga mal fechada notoriamente há bastante tempo, proporcionava a degradação do interior do cockpit.

Percebe-se que as verbas para manutenção de aeronaves que não são já mais do que memórias de outros tempos, não são prioritárias face às urgências das actualidades. 
As pinturas e restauro custam dinheiro.
Certos cuidados no entanto não.

À semelhança das pessoas, os aviões velhos também merecem respeito.


domingo, 7 de março de 2010

OFICIAL PILOTO-AVIADOR (M357-7PM/2010)



Nos mais de doze anos que levo desde a primeira reportagem que fiz sobre a aviação militar nacional e no contacto próximo que por essa razão acabei por ter com os homens que servem o país na Arma Aérea, devo dizer que a minha admiração por eles não cessou ainda de aumentar.

Conheci homens que são os dignos herdeiros dos guerreiros que delinearam as fronteiras de Portugal há muitos séculos e a quem devemos mais recentemente a Liberdade de que gozamos desde 1974. A mesma sociedade civil que retomou o rumo da sua história através das mãos dos militares, é todavia no entanto a mesma que teima muitas vezes em votá-los ao esquecimento, como se obsoletos, em tempos que são felizmente menos bélicos.

Não nos iludamos no entanto, que enquanto o homem for um ser competitivo e lutar pelo melhor para os seus, o músculo que dá o poder de negociação ou o tira, há-de ser a sua força militar e a força dos seus homens.

Conheci homens desses, com valores que orgulham o país e se orgulham do seu país. Pessoas com sentido de Estado, abnegação, visão estratégica e formação que tanta falta faz nos dias de hoje à classe política e até a cada um de nós.

Sim, porque o país quem o faz são as pessoas que os constituem. E cada vez que abrimos a boca para dizer “este país isto” e “este país aquilo”, é de todos nós que estamos a falar. O País somos nós e é em cada um de nós que tem que começar a mudança dos erros que apontamos todos os dias no abstracto.

As Forças Armadas, e a Força Aérea de que falo com mais conhecimento de causa, continuam felizmente a ser uma pedra basilar e de sustentação, a uma sociedade que necessita delas muito mais do que se pensa e do que a vista alcança.



quinta-feira, 4 de março de 2010

F-16AM 15114 (Actualizado) M356-13AL/2010

 15114 fotografado em operação na semana passada, já como MLU

Pela objectiva do Hélder Afonso, ficamos a saber do regresso (recente) à operacionalidade do F-16AM 15114.
Os aviões, funcionando muitas vezes em conjunto são, ainda assim, entidades individuais e os pilotos sabem-no quando os sentem nas suas mãos. É frequente ouvir nas suas conversas referência a determinado aparelho,  comentando até onde ele chega, quantos g´s aguentou, do que é capaz, que comportamentos teve em voo, tendo em conta a complexidade da operação de tantos mecanismos em simultâneo, todos eles conducentes ao objectivo primeiro que é, efectivamente, o voo e o cumprimento das missões.
 15114 fotografado em meados da década de noventa, num TLP (Tactical Leadership Program) em Florennes, ainda sem o "Falcão" na deriva

O 15514, aqui retratado, é mais um (o 4º) dos "velhos" OCU's de 1994 a regressar aos céus de cara e lavada e "interior" modernizado. 
Para nós, entusiastas, interessa-nos, sobretudo,a sua história individual. Quando conquistou o céu, em que operações esteve envolvido, as suas idas "ao médico", o seu percurso pelos céus do mundo, enfim...

 15114 fotografado em Florennes - Bélgica, em Abril de 2004, com o "Falcão" da Esquadra 201 pintado na deriva
 15114 fotografado na Lituânia, em mais uma saída para patrulhamento dos céus do Báltico, em Novembro de 2007, com o esquema de pintura  "low vis"

Do seu historial, destacam-se alguns momentos.
O 15114 (s/n 93-0478) chegou a Monte Real a 14 de Dezembro de 1994, às 17:35h e em meados de 2002, tinha cerca de 1200 horas de voo. A 6 de Maio de 1999, juntamente com o 15108, iniciou a sua parte da componente aérea lusitana da NATO, no Kosovo, nas missões CAP - Combat Air Patrol, operando a partir da Base aérea de Aviano, em Itália, onde permaneceu cerca de um mês.
Em finais de 2007, juntamente com o 15112 da Esq. 201 - Falcões, integrou o destacamento da FAP no âmbito da operação NATO, Baltic Air Policing, na Lituânia.
Em 9 de Dezembro de 2009, efectuou o seu primeiro voo como F-16AM.

15114 ainda com as superfícies principais em "primário", num dos seus voos de teste



Crédito das imagens: Hélder Afonso, EMFA, Philippe Noret, Marco Casaleiro, EMGFA

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